terça-feira, 11 de outubro de 2011

ÚLTIMA MENSAGEM DE CHARLES SPURGEON

Nº 2263

Defesa de Cristo aos pecadores ignorantes

Pregado por Charles Haddon Spurgeon,

No Tabernáculo Metropolitano, Newington,

Na noite de domingo, 5 de outubro de 1890.

“Então Jesus disse: Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” Lucas 23:34

Que doçura nós temos aqui; que abnegação; que amor altíssimo! Jesus não disse àqueles que O crucificaram: “Vá embora!” Uma palavra dessa e todos teriam fugido. Quando os soldados vieram para prendê-Lo no jardim, eles recuaram e cairam no chão quando Ele falou uma pequena frase! E agora que Ele está na cruz, uma única sílaba teria feito toda aquela corporação cair no chão ou fugir de medo.
Jesus não disse uma única palavra em Sua defesa. Quando Ele orou ao Seu Pai, Ele poderia ter simplesmente dito “Pai, veja o que eles fazem ao Seu filho amado. Julgue-os pelo mal que fazem para quem os ama e que faz tudo que pode por eles”. Mas não há nenhuma oração contra eles nas palavras que Jesus profere. Foi escrito no passado, pelo profeta Isaías, que “pelos transgressores intercedeu”[1] e aqui isso é cumprido! Ele implora por Seus assassinos, “Pai, perdoa-lhes”.[2]
Jesus não pronuncia nenhuma palavra de repreensão. Ele não diz, “Por que vocês fazem isso? Por que perfuram as mãos que te alimentaram? Por que pregaram os pés que foram até vocês em misericórdia? Por que zombam do homem que amou abençoar-lhes?” Não, nenhuma palavra, até mesmo de repreensão suave, muito menos qualquer coisa como uma maldição. "Pai, perdoa-lhes”. Você percebe que Jesus não diz “Eu os perdôo”, mas você pode ler nas entrelinhas. Ele diz isso mais ainda porque não diz em palavras. Mas Ele colocou de lado sua majestade e está pregado na cruz e, portanto, Ele assume a posição de um humilde suplicante, ao invés do lugar mais elevado de Quem teve o poder de perdoar. Quantas vezes, quando os homens dizem “eu te perdôo”, há uma espécie de egoísmo nisso? Seja mais ou menos, o ego é sempre afirmado no próprio ato de perdoar. Jesus toma o lugar de um defensor, um defensor para aqueles que estavam matando a Ele mesmo. Bendito seja o Seu nome!
Usaremos esta palavra na Cruz, esta noite, e veremos se não podemos absorver alguma coisa dela para a nossa instrução, pois, embora nós não estivéssemos lá e não tenhamos assassinado Jesus, ainda assim causamos a Sua morte – nós também crucificamos o Senhor da Gloria e a Sua oração por nós foi, “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem”.
Eu não vou lidar muito com este texto tanto por meio da exposição, quanto por meio da experiência. Eu acredito que há muitos aqui aos quais estas palavras serão muito apropriadas. Esta será nossa linha de pensamento. Primeiramente estávamos, em certa medida, ignorantes. Em segundo lugar, confessamos que essa ignorância não é desculpa. Em terceiro lugar, bendizemos nosso Senhor por nos defender e em quarto lugar, nós agora nos regozijamos no perdão que obtemos. Que o Espírito Santo graciosamente nos ajude em nossa meditação!

I. Olhando para trás em nossa experiência passada, deixe-me dizer, primeiro, que NÓS ÉRAMOS, EM CERTA MEDIDA, IGNORANTES. Nós, que fomos perdoados, que fomos lavados no sangue do Cordeiro, pecamos em grande medida através da ignorância. Jesus diz, “eles não sabem o que fazem”. Agora vou apelar a vocês, irmãos e irmãs - quando viviam sob o domínio de Satanás e serviam a si e ao pecado – não havia nisso uma boa medida de ignorância? Você pode realmente dizer, como pronunciamos no hino que acabamos de cantar:
“Ai de mim, eu não sabia o que fazia!”.
É verdade que, em primeiro lugar, ignorávamos o terrível significado do pecado. Começamos a pecar quando crianças – sabíamos que isso era errado, mas nós não sabíamos tudo que o pecado significava. Nós continuamos a pecar quando jovens – talvez tenhamos mergulhado em muita rebeldia. Sabíamos que era errado, mas não víamos toda a sua extensão. Não parecia, para nós, uma rebelião contra Deus. Não sabíamos que estávamos, presunçosamente, desafiando a Deus, considerando Sua sabedoria como nada, desafiando Seu poder, ridicularizando Seu amor, desprezando a Sua Santidade, mas realmente o estávamos. Há um abismo de profundidade no pecado. Você não pode ver o seu fundo.
Quando o pecado rolou em nossa língua como um bocado doce, não conheciamos todos os ingredientes terríveis que compunham este agridoce mortal. Estávamos até certo ponto, ignorantes sobre o crime tremendo que cometemos quando ousamos viver em rebelião contra Deus. Até agora, suponho, você concorda comigo.
Não sabíamos, naquele momento, do grande amor de Deus por nós. Eu não sabia que Ele me escolheu antes da fundação do mundo. Nunca havia sonhado com isso! Eu não sabia que Cristo ficou como meu substituto, pra me redimir dentre os homens. Eu não conhecia o amor de Cristo – não entendia. Você não sabia que você estava pecando contra o Amor Eterno, contra a infinita compaixão, contra um Amor distinto tal qual o que Deus colocou sobre você desde a eternidade. Naquele tempo, não sabíamos o que fazíamos.
Creio também que não sabíamos tudo que estávamos fazendo rejeitando a Cristo e o sujeitando à dor. Ele veio a nós em nossa juventude e, impressionados com um sermão, começamos a tremer e buscar a Sua face. Porem, fomos trazidos de volta ao perigo do mundo e recusamos a Cristo. As lágrimas de nossas mães, as orações de nossos pais, as admoestações dos nossos professores muitas vezes nos comoveram – mas fomos muito teimosos e rejeitamos a Cristo. Não sabíamos que, naquela rejeição, estávamos praticamente tirando-O do arraial e o crucificando! Estávamos negando sua Divindade, ou então teríamos O adorado. Estávamos negando seu amor, ou teríamos nos rendido a Ele. Estávamos praticamente, em cada ato de pecado, pegando o martelo e os pregos e pregando Cristo na Cruz, mas não sabíamos disso. Talvez, se tivéssemos tido conhecimento disso, não teríamos crucificado o Senhor da Glória. Sabíamos que estávamos fazendo o mal, mas não sabíamos todo o mal que estávamos fazendo.
Também não sabíamos totalmente o significado dos nossos atrasos. Nós hesitamos – estávamos à beira da conversão, mas voltamos pra trás e nos voltamos, novamente, para nossas velhas loucuras. Estávamos endurecidos, sem Cristo, ainda sem oração, e cada um de nós disse “Ah, eu estou apenas esperando para cumprir meus compromissos presentes, até eu ficar um pouco mais velho, até eu ter visto um pouco mais do mundo!” O fato é que realmente estávamos recusando a Cristo e escolhendo os prazeres do pecado ao invés Dele – e cada hora de atraso foi uma hora de crucificação de Cristo, entristecendo Seu Espírito e escolhendo este mundo prostituído no lugar do amável e sempre abençoado Cristo! Não sabíamos disso.
Acho que podemos acrescentar mais uma coisa. Não sabíamos o significado da nossa justiça própria. Costumávamos pensar, alguns de nós, que tínhamos nossa própria justiça. Íamos à Igreja regularmente, ou íamos à casa de Oração sempre que estava aberta. Fomos batizados, fomos confirmados, ou, talvez, nos alegrávamos por nunca termos permitido essas coisas serem feitas conosco. Assim, colocávamos nossa confiança em cerimônias, ou na falta de cerimônias! Fazíamos nossas orações; líamos um capítulo da Bíblia de noite e de manhã. Fizemos – Ah, eu não sei o que nós não fizemos! Mas ali descansávamos – nos considerávamos justos segundo a nossa própria estima. Não tínhamos nenhum pecado particular para confessar, nem qualquer razão para deitar no pó diante do Trono da majestade de Deus. Éramos tão bons quanto poderíamos ser, e não sabíamos que estávamos, na verdade, cometendo o maior insulto contra Cristo, pois, se não éramos pecadores, por que Cristo morreu? E se tínhamos nossa própria justiça suficientemente boa, por que Cristo veio trabalhar por uma justiça para nós?
Fizemos Cristo ser supérfluo, ao nos considerarmos bons o suficiente sem descansar no Seu sacrifício de redenção. Ah, mas não sabíamos que estávamos fazendo isso! Pensávamos que estávamos agradando a Deus com nossa religiosidade, pelos nossos atos exteriores, pelas nossas regularidades eclesiásticas! Mas o tempo todo, estávamos colocando o anticristo no lugar de Cristo! Estávamos fazendo com que Cristo não fosse necessário! Estávamos roubando Dele toda sua obra e glória! Que tristeza, Cristo diria de nós com relação a todas essas coisas “eles não sabem o que fazem”. Eu quero que você olhe calmamente para o passado em que você servia ao pecado e veja se não havia trevas sobre a sua mente, uma cegueira no seu espírito, de modo que você não sabia o que fazia.

II. Bem, agora, por outro lado, CONFESSAMOS QUE ESSA IGNORÂNCIA NÃO É DESCULPA. Nosso Senhor poderia usar isso em nossa defesa, mas nós nunca poderíamos. Não sabíamos o que fazíamos e por isso não fomos culpados na medida do possível – mas éramos culpados o suficiente – portanto, vamos reconhecê-lo.
Por um lado, lembre-se, a lei nunca permite isso como uma desculpa. Na nossa própria lei inglesa, um homem deve saber o que é a lei. Se ele a quebra, não é desculpa alegar que não sabia[3]. Isso pode ser considerado pelo juiz como um atenuante, mas a lei não permite nada do tipo. Deus nos dá a Lei e estamos sujeitos a cumpri-la. Se errei por não saber da Lei, ainda assim era um pecado. De acordo com a Lei Mosaica, havia pecados de ignorância e para eles não havia ofertas especiais[4]. A ignorância não apaga o pecado. Isso está claro no meu texto, pois, se a ignorância faz uma ação deixar de ser pecaminosa, por que Cristo diria, “Pai, perdoa-lhes”? Mas Ele o faz – Ele pede clemência para o que é pecado – ainda que a ignorância, de certa forma, é presumível para reduzir a criminalidade do mesmo.
Mas, queridos amigos, nós deveríamos saber. Se não sabíamos, é porque não queríamos saber. Havia pregação da Palavra, mas não nos importávamos em ouvir. Existia este Livro abençoado, mas não nos importávamos de lê-lo. Se tivéssemos nos sentado e olhássemos para nossa conduta à luz das Escrituras Sagradas, poderíamos conhecer muito mais sobre mal do pecado, muito mais sobre o amor de Cristo, muito mais da ingratidão que é possível ao se recusar a Cristo e não ir a Ele.
Além disso, não pensávamos. “Ah, mas”, você diz, “os jovens nunca pensam!” Mas os jovens deveriam pensar. Se há alguém que não precisa pensar, é o velho homem cujos dias estão quase no fim. Se ele pensar, ele tem um curto tempo para melhorar – mas o jovem tem toda sua vida diante de si. Se eu fosse um carpinteiro e tivesse que fazer uma caixa, eu não pensaria sobre isso depois de fazer a caixa. Eu pensaria, antes de começar a cortar a madeira, que tipo de caixa seria. Em todas as ações, um homem deve pensar antes de começar, ou então ele é um tolo. Um jovem deveria pensar mais do que ninguém, pois agora ele está, por assim dizer, fazendo sua caixa. Ele está começando seu plano de vida – ele deve ser o mais pensativo de todos os homens. Muitos de nós, que agora somos de Cristo, saberiam muito mais sobre o nosso Senhor se tivesse feito uma reflexão mais cuidadosa em nossos dias de jovens. Um homem considera sobre tomar uma esposa. Ele irá considerar sobre fazer algum negócio. Ele irá considerar sobre a compra de um cavalo ou uma vaca, mas ele não vai considerar as reivindicações de Cristo e as reivindicações de Deus, o Altíssimo! E isso torna sua ignorância voluntária e indesculpável.
Além de que, queridos amigos, apesar de ter confessado a ignorância, em muitos pecados nós não sabíamos de muita coisa. Vamos, deixe-me estimular suas memórias. Houve momentos em que você sabia que tal ação era errada quando você começou. Você olhou para o ganho que lhe traria – e você vendeu sua alma por esse preço e deliberadamente fez sabendo que estava errado. Não há ninguém aqui, salvo por Cristo, que deve confessar que, às vezes, praticaram violência contra sua consciência? Eles o fizeram, apesar do Espírito de Deus, apagaram o Farol do Céu, dirigiram o Espírito para longe deles, distintamente sabendo o que estavam fazendo! Vamos nos curvar diante de Deus no silêncio de nossos corações e reconhecer tudo isso. Nós ouvimos o Mestre dizer “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”. Vamos acrescentar às nossas próprias lágrimas enquanto dizemos “e perdoa-nos também porque em algumas coisas nós sabíamos. Em todas as coisas nós deveríamos saber, mas que éramos ignorantes pela falta de pensamento, tal pensamento que era um dever solene que deveríamos ter prestado a Deus.”
Vou dizer mais uma coisa sobre esse assunto. Quando um homem é ignorante e não sabe o que ele deve fazer, o que ele deveria fazer? Bem, ele não deveria fazer nada até que soubesse! Mas aqui está o mal real – quando nós não sabíamos, ainda assim escolhemos fazer a coisa errada. Se nós não sabíamos, por que nós não escolhemos a coisa certa? Mas, estando no escuro, nós nunca nos voltamos para a direita, mas sempre tropeçamos para a esquerda de pecado em pecado! Isso não nos mostra quão depravados nossos corações são? Apesar de estarmos buscando o certo, quando somos deixados sozinhos, erramos por nós mesmos. Deixe uma criança sozinha. Deixe um homem sozinho. Deixe uma tribo sozinha sem ensinamento e instrução – o que vem disso? Ora, é o mesmo que deixar um campo sozinho! Nunca, por acaso, produz trigo ou cevada! Deixe-o sozinho e haverá ervas daninhas, espinhos e abrolhos – mostrando que o rumo natural da terra é produzir o que é inútil!
Amigos, confessem a maldade inata de vossos corações e o mal em vossas vidas, no que, quando vocês não sabiam, tendo instinto perverso, escolheram ao mal e se recusaram ao bem e, quando você não sabiam o suficiente de Cristo e não pensaram o suficiente Dele para saber se você deveria tê-lo ou não, vocês não queriam vir a Ele para terem vida! Vocês precisavam de luz, mas fecharam os olhos para o sol. Estavam com sede, mas não quiseram beber da fonte da vida, e assim, na sua ignorância, embora estivesse lá, era uma ignorância criminosa que vocês devem confessar diante do Senhor. Ah, venham para a cruz, vocês que estiveram lá antes, e perderam seu fardo lá! Venham e confesse sua culpa, novamente, e agarrem esta Cruz outra vez! Venham e olhem para Ele que sangrou em cima dela, bendizei Seu querido nome uma vez que Ele orou por vocês, “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”.
Agora estou indo um passo adiante. Estávamos, de certa forma, ignorantes, mas confessamos que essa ignorância mensurável não era desculpa.

III. Agora, em terceiro lugar, NÓS BENDIZEMOS AO SENHOR ROGANDO POR NÓS.
Você percebe quando foi que Jesus pleiteou-nos? Quando estavam o crucificando. Eles não estavam colocando apenas os pregos, eles haviam levantado a cruz e colocado no suporte – e deslocaram-se todos os seus ossos para que Ele pudesse dizer “Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram”[5]. Ah, queridos amigos, foi então que, em vez de um grito ou gemido, esse querido Filho de Deus disse, “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Eles não pediram perdão para si próprios – Jesus pede por eles! As mãos deles estavam manchadas com Seu sangue e foi naquele momento, mesmo assim, que Ele orou por eles! Vamos pensar no grande amor com que Ele nos amou, mesmo quando éramos ainda pecadores, quando nos revolvíamos no pecado, quando bebíamos dEle como um boi bebe toda a água! Mesmo assim Ele orou por nós! “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios”[6]. Bendizei ao Seu nome esta noite! Ele orou por você quando você não orou por si mesmo! Ele orou por você quando você o estava crucificando!
Então pense que em Seu apelo, Ele alegou sua filiação. Ele diz “Pai, perdoa-lhes”. Ele era o Filho de Deus e Ele colocou sua Divina Filiação no pedido em nosso favor. Ele parece ter dito “Pai, como eu sou Seu Filho, dê-me o que peço e perdoe estes rebeldes. Pai, perdoa-lhes”. Os direitos de Cristo como filho eram muito grandes. Ele era Filho do Altíssimo. “Luz da luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus,”[7] A segunda pessoa na Divina Trindade – E Ele coloca a sua filiação perante Deus e diz “Pai, Pai, perdoa-lhes”. Ah, o poder da palavra dos lábios do filho quando Ele está ferido, quando Ele está em agonia, quando Ele está morrendo! Ele diz “Pai, Pai, atende meu único pedido! Oh, Pai, perdoa-lhes; eles não sabem o que fazem”. E o grande Pai abaixa Sua cabeça em sinal de que Seu pedido foi concedido.
Então perceba que Jesus esta aqui, em silêncio, mas realmente pleiteia seus sofrimentos. A atitude de Cristo quando Ele fez essa oração é muito notável. Suas mãos estavam estendidas em cima da viga transversal. Seus pés foram pregados ao tronco vertical e ali Ele pediu! Silenciosamente Suas mãos e pés estavam pedindo e Seu corpo agonizante, do tendão ao músculo, suplicou a Deus! Seu sacrifício foi apresentado por completo e por isso é Sua a cruz, que faz o apelo, “Pai, perdoa-lhes”. Oh, Bendito Cristo! É assim que fomos perdoados, pois sua filiação e sua Cruz pleitearam com Deus, e prevaleceram em nosso favor.
Eu amo essa oração, também, por causa da sua indistinção. Ela é, “Pai, perdoa-lhes”. Ele não disse “Pai, perdoa os soldados que me pregaram aqui”. Ele os incluiu. Nem disse “Pai, perdoa os pecadores dos tempos que virão que irão pecar contra mim”. Mas Ele pede por eles. Jesus não os menciona por nenhum nome de acusação – “Pai, perdoa meus inimigos. Pai, perdoa meus assassinos”. Não, não saiu nenhuma palavra de acusação de seus lábios amáveis. “Pai, perdoa-lhes”. Agora, com o pronome “eles”, eu me sinto arrepiado. Você pode chegar lá? Ah, por uma fé humilde, apropriada à Cruz de Cristo, por confiar nela e alcançar o sentido daquela pequena grande palavra, “eles”! Parece uma carruagem de misericórdia que desceu à terra em que um homem pode pisar – e o pode levar para o céu. “Pai, perdoa-lhes”.
Observe, também, o que foi que Jesus pediu – omitir isso seria deixar de fora a própria essência da Sua oração. Ele pediu absolvição total a todos os Seus inimigos – “Pai, perdoa-lhes. Não os puna. Perdoa-lhes. Não se lembre dos seus pecados. Perdoe, apague, jogue nas profundezas do mar. Não se lembre disso, meu Pai. Nunca mais os mencione contra eles. Pai, perdoa-lhes”. Oh, oração abençoada, pois o perdão de Deus é amplo e profundo! Quando o homem perdoa, ele mantém as lembranças do mal por trás. Mas quando Deus perdoa, Ele diz, “perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei”[8]. É isto que Cristo pediu por mim e por você muito antes de termos qualquer arrependimento ou fé - e em resposta a essa oração, fomos trazidos a sentir nosso pecado! Fomos levados a confessá-lo e crer Nele! E agora, glória ao Seu nome, podemos bendizê-Lo por ter pedido por nós e obtido o perdão de todos nossos pecados!

IV. Chegou a hora do meu último ponto, que é este: NÓS AGORA NOS ALEGRAMOS DO PERDÃO QUE OBTEMOS. Vocês obtiveram perdão? É essa a canção de vocês? -
"Agora, oh alegria!
Meus pecados estão perdoados,
Agora eu posso, e creio "
Eu tenho uma carta no bolso de um homem culto e direito que foi um agnóstico. Ele disse que era agnóstico sarcástico e ele escreve louvando a Deus e invocando toda bênção sobre mim por tê-lo trazido aos pés do Salvador. Ele diz, “Eu estava sem felicidade nessa vida e sem esperança para a próxima”. Penso que esta é a descrição verdadeira de muitos incrédulos. Que esperança há para o mundo viver separado da cruz de Cristo? A melhor esperança que um homem assim tem é que ele morra como um cachorro e este muito provavelmente será o seu fim. Qual é a esperança da Igreja Católica quando ela vier a morrer? Eu me sinto tão triste por meus amigos devotos, pois não sei qual é a esperança deles. Eles não esperam ir para o céu – não por algum tempo, pelo menos – eles acreditam que a dor do purgatório deve ser sofrida primeira. Ah, esta é uma fé pobre, pobre fé para morrer nela – ter tal esperança as incomodando nos últimos pensamentos! Eu não sei de nenhuma religião que não a de Jesus Cristo que nos conta de nosso pecado perdoado, absolutamente perdoado!
Agora ouça. Nosso ensino não é que, quando você vier a morrer, você pode, talvez, descobrir que está tudo certo, mas “amados, agora somos filhos de Deus”[9]. “Aquele que crê no filho tem a vida eterna”[10]. Ele tem isso agora sabe disso agora, e nisso se alegra! Agora eu volto para o último assunto do meu discurso – regozijamo-nos pelo perdão que Cristo obteve para nós. Estamos perdoados! Espero que a maior parte desse público possa dizer, “Pela Graça de Deus, nós sabemos que nós somos lavados no sangue do Cordeiro”.
O perdão veio a nós pelo apelo de Cristo. Nossa esperança reside no apelo de Cristo e especialmente em Sua morte. Se Jesus pagou minha dívida – Ele fez isso e eu sou crente Nele – então eu não tenho mais dívida. Se Jesus suportou a pena do meu pecado – e Ele fez isso se eu sou crente – então não há nenhuma penalidade pra eu pagar, pois podemos dizer a Ele:
"Completa expiação Tu fizeste,
E até o último tostão pagou
Tudo que Seu povo devia.
Não pode Sua ira sobre mim ter lugar,
Se abrigado em Tua justiça,
E arpergido com Teu sangue.
Se Tu tem a minha quitação escrita,
E livremente no meu lugar suportou
Toda a ira divina-
O pagamento Deus não pode exigir duas vezes,
Primeiro da mão sangrando do meu Fiador,
E então, novamente, da minha. "
Se Jesus suportou meu castigo, eu nunca deverei o suportar! Oh, que alegria que existe nessa garantia abençoada! A esperança de que você está perdoado reside nisto – que Jesus morreu. Aquelas chagas queridas Dele sangraram por você!
Louvamos a Ele por nosso perdão porque nós sabemos, agora, o que fizemos. Oh, irmãos e irmãs, eu não sei quanto devemos amar a Cristo porque pecamos contra Ele de maneira tão cruel! Agora sabemos que o pecado é “excessivamente pecaminoso”. Agora sabemos que o pecado crucificou Cristo. Agora sabemos que nós apunhalamos nosso divino Amado celestial em Seu coração! Matamos, com vergonhosa morte, nosso melhor e mais querido Amigo e Bem-feitor! Sabemos disso agora, e poderíamos quase chorar lágrimas de sangue por pensar que nós o tratamos a Ele dessa forma! Mas tudo é perdoado, tudo se foi! Oh, que nós louvemos aquele querido Filho de Deus que pôs de lado pecados como os nossos! Sentimos eles mais agora do que nunca. Nós sabemos que nossos pecados são perdoados e nossa dor é por causa da dor do preço pago por nosso Salvador pelo nosso perdão. Nós não sabíamos que nossos pecados estavam realmente perdoados até vermos Seu suor em sangue. Nós nunca soubemos o vermelho carmesim de nossos pecados, até que lemos nosso perdão escrito em linhas vermelhas com Seu precioso sangue! Agora vemos nosso pecado e ainda assim não vemos, pois Deus os perdoou, apagou-os, lançou-os para trás de Suas costas para sempre!
A partir de agora a ignorância, assim como foi descrita, deve ser odiosa para nós. Ignorar a Cristo e as coisas eternas deve ser odioso para nós. Se, por ignorância, nós pecamos, acabemos com essa ignorância! Nós estudaremos Sua Palavra. Estudaremos aquela obra-prima de todas as ciências, o conhecimento de Cristo Crucificado. Vamos pedir ao Espírito Santo para nos guiar para longe da nossa ignorância que gera o pecado. Queira Deus que nós não possamos cair no pecado da ignorância mais, mas que sejamos capazes de dizer “Eu sei em quem tenho crido e agora vou buscar mais conhecimento, até que eu compreenda, como todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, do amor de Cristo, e conhecer o amor de Deus, que excede todo entendimento!”
Eu coloquei aqui uma palavra prática. Se você se regozija por estar perdoado, mostre sua gratidão imitando a Cristo. Nunca houve antes tal apelo como este, “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”. Apele dessa forma para os outros. Alguém tem te ferido? Há pessoas te caluniando? Ore esta noite, “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”. Vamos sempre devolver o bem para o mal, bênçãos pela maldição - e quando nós somos chamados para padecer através da injustiça dos outros - vamos acreditar que eles não agiriam assim se não fosse por causa da sua ignorância. Vamos orar por eles e fazer de sua própria ignorância o apelo para o perdão – “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem.”
Eu quero que você pense nos milhões em Londres agora. Pense naqueles quilômetros de rua, despejando suas crianças esta noite! Pense naqueles bares com as multidões entrando e saindo. Desça às nossas ruas, à luz do luar. Veja o que eu quase corei para dizer. Siga os homens e mulheres, também, às suas casas, e faça disso a sua oração “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”. Este sino prateado – o mantenha sempre tocando. O que eu disse? “Este sino de prata?” Não, são os sinos de ouro[11] sob as vestes do Sacerdote. Use-os sob suas roupas, vocês sacerdotes de Deus, e deixem-no sempre tocando sua nota dourada, “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”. Se eu puder levar todos os santos de Deus a imitar a Cristo com uma oração como esta, eu não terei falado em vão.
Irmãos e irmãs, eu vejo razão para ter esperança na mesma ignorância que nos rodeia. Eu vejo esperança por nossas pobres cidades, esperança por este pobre país, esperança pela África, China e Índia. “Eles não sabem o que fazem”. Aqui está um forte argumento a favor deles, pois eles são mais ignorantes do que nós éramos. Eles sabem menos do pecado do mal e menos de esperança! Mande um ardente clamor direto para o coração de Deus, enquanto Jesus, do Seu trono, acrescenta Sua prevalente intercessão “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”.
Se houver pessoas descrentes aqui, e eu sei que há algumas, nós as mencionaremos na nossa devoção privada, bem como na assembléia pública. E nós oraremos por elas com palavras como estas, “Pai, perdoa-lhes, elas não sabem o que fazem”. Que Deus abençoe todos vocês, pelo amor de Jesus Cristo! Amém.

[1] Is 53:12
[2] Lc 23:34
[3] Na Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro de 2010, antiga lei de introdução do Código Civil Brasileiro de 1942, no Artigo 3º, é dito “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece” (fonte: Palácio do Planalto, governo federal) (N.do R)
[4] No sentindo de que não eram passiveis de expiações diferentes do que os outros pecados, mas sim necessitando expiação por culpa do pecado: conferir Números 15:27 , Levítico 4 (N.R)
[5] Sl 22:14
[6] Rm 5:6
[7] Citação de parte do credo Niceno (N. do T.).
[8] Jr 31:34
[9] I Jo 3:2
[10] Jo 3:36
[11] A prata na Bíblia significa, em uma interpretação simbólica da época de Spurgeon, a salvação, e o ouro, a preciosidade (N. do T.).

Texto enviado pelo irmão:
Diego Rumão, membro de nossa igreja

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