segunda-feira, 17 de setembro de 2012

ESTUDOS BETESDA / ECLESIOLOGIA

ECLESIOLOGIA


PARTE 5

“À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados” Hb 12.23

Dando prosseguimento ao estudo que visa nos fazer compreender melhor a doutrina da igreja e consequentemente nos preparar para o concílio de organização de nossa congregação em igreja, estaremos falando neste estudo sobre a Ceia do Senhor.

O QUE É CEIA?
É um memorial, onde relembramos a morte e a ressurreição de Cristo até que Ele volte. É a segunda ordenança de Cristo (I Cor 11.23-26)

QUAIS SÃO OS DOIS ELEMENTOS DA CEIA E O QUE REPRESENTAM?
Pão (corpo de Cristo) e o vinho (sangue de Cristo). Como estes elementos não possuem qualidades em si mesmo, mas sim representam o Corpo e Sangue de Cristo, em algumas regiões onde o pão/vinho não são elementos comuns na cultura, tem se usado outros alimentos que também possam ser usados, como a mandioca e o caldo de cana. Em uma igreja batista no subúrbio do RJ, o pastor junto ao pão e o vinho, tem colocado pedaços de limão e de rapadura.

EM MEMÓRIA DE QUEM DEVEMOS PARTICIPAR DA CEIA?
De Jesus Cristo. Isto significa trazer a memória todo o sacrifício de Cristo e anunciar a sua volta.

O QUE JESUS ESTABELECEU COM O HOMEM AO DERRAMAR O SEU SANGUE?
Uma nova aliança. (Mt 26.28). Não mais a antiga aliança que era através do derramamento do sangue de animais, mas pelo derramar do sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).

QUEM PODE PARTICIPAR DA CEIA?
Somente o que crê em Jesus Cristo como Senhor e Salvador, foi batizado e está em plena comunhão com a sua Igreja.

O QUE A BÍBLIA RECOMENDA ANTES DE PARTICIPAR DA CEIA?
1) Ao participar da Ceia, faça um exame pessoal – Salmos 139:23-24;

2) Neste exame pessoal, se você perceber que há pecados em sua vida, peça perdão a Deus - I João 1:9;

3) Coloque a sua vida diante de Deus - Romanos 12:1 – Salmo 116:12;

4) Se você está de relações cortadas com um irmão, vá se reconciliar com ele - Mateus 5:23-24.

QUANTAS FORMAS DE CEIA EXISTEM E QUAL O SIGNIFICADO DE CADA UMA DELAS?
Quatro são as formas de Ceia: a restrita, a ultra-restrita, a livre e a ultra-livre.

Ceia restrita – É a que é ministrada para membros batizados numa Igreja Batista, da mesma fé e ordem, e que estejam em plena comunhão com a mesma.

Ceia ultra-restrita – É a que é ministrada somente para membros de uma Igreja Batista local, desde que tenham passado pelo batismo.

Ceia livre – É aquela que é ministrada para todos os crentes batizados em qualquer Igreja evangélica. Esta é a nossa forma de ministrar a Ceia do Senhor, por dois motivos:

o O Reino de Deus vai além das fronteiras batistas, portanto temos muitos irmãos que não pertencem a nossa denominação.

o Se a pessoa come indevidamente, ela come para sua própria condenação.

o Não creio que nas Bodas do Cordeiro, somente terão crentes batistas presentes.

Ceia ultra-livre – É aquela que é ministrada para qualquer pessoa, seja crente ou não, independente de pertencer ou não a alguma Igreja Evangélica. Presente em reuniões ecumênicas.

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS DOUTRINAS A RESPEITO DA CEIA?
Transubstanciação – É a doutrina que ensina que no ato da celebração da Ceia (sacramento da eucaristia), acontece a transformação do pão e do vinho, na substância do corpo e sangue de Jesus Cristo. A Igreja Católica é a defensora desta doutrina, por isso o elemento que representa o corpo não pode ser mordido, mas colocado na boca e espera-se que este dissolva.

Consubstanciação – É a doutrina que ensina que a presença real de Cristo se dá quando a Ceia (sacramento da eucaristia) é ministrada, concedendo bênçãos especiais aos que participam. Esta doutrina é seguida principalmente pela Igreja Assembléia de Deus, que tem a prática de usar este momento para abençoar ou punir seus membros. Abençoar, levando os elementos até o leito do membro que não pode comparecer ao templo. Punir, proibindo o membro que esteja em disciplina de participar da comunhão.

Não existe nenhuma base bíblica para essas formas de se realizar a Ceia.

Memorial – É a doutrina que ensina que o Ceia do Senhor é um momento de se relembrar o sacrifício de Cristo na cruz e o anúncio que Ele voltará. Esta é a doutrina ensinada por Jesus (Mt 26.20-29) e também por Paulo (I Cor 11.17-34).

DEVE A CEIA SER LEVADA A CRENTES ENFERMOS EM CASA?
Não. Paulo ensina que a Ceia do Senhor deve ser ministrada da seguinte maneira: “...porquanto vos ajuntais, não para melhor, senão para pior” I Cor 11.17); o que dá a idéia de figura congregacional e não individual.

A CEIA DO SENHOR É SANTA?
Sim. Não somente a Ceia, mas tudo quanto é separado para o Senhor.

QUEM INSTITUIU A CEIA E QUANDO A INSTITUIU?
O Senhor Jesus, na noite em que foi traído (Mt 26.17-30; I Cor 11.23)

Pr Fulvio Santos

A JESUS CRISTO SEJA TODA HONRA E GLÓRIA

ESTUDOS BETESDA / ECLESIOLOGIA

ECLESIOLOGIA

PARTE 4

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” Cl 1.18

No estudo passado, vimos às questões relativas ao pastor, seu significado, suas funções, qualificações e como a igreja pode ser benção na vida dele. Já neste estudo estaremos entrando em um assunto que faz uma distinção grande entre a nossa doutrina e a das demais igrejas evangélicas. Na história da igreja batista, existe o registro de muita perseguição e luta, exatamente por ela se manter firme em algumas dessas doutrinas que iremos estudar. Portanto é de extrema necessidade sabermos responder o que cremos e porque cremos! Não podemos ser o tipo de crente e igreja que aceita tudo e não sabe apresentar uma resposta bíblica sobre nossa fé. Como dizia John Stott: “Crer é também pensar!”.

QUAL DEVE SER A RELAÇÃO ENTRE IGREJA E O ESTADO?
De completa e absoluta separação, embora creiam os batistas que o crente é cidadão de duas pátrias enquanto no mundo: a pátria temporal ou seu País de nascença, e a pátria celestial, da qual somos embaixadores (Fp 3.20; Mt 22.21). Isto significa que devemos cumprir com todas as nossas obrigações como cidadão brasileiro, e ainda mais, ser exemplo em todas elas. Devemos inclusive orar pelos nossos governantes e trabalhar pelo bem do Estado.

A Igreja uniu-se ao Estado a partir de Constantino, e ainda hoje vemos as consequências dessa desastrosa união. A Inglaterra também é um exemplo de união entre Igreja e Estado (Anglicanismo) e como está união pode matar a fé cristã. Portanto nós somos historicamente contra qualquer tipo de aliança política ou recebimento de benefícios em detrimento de outro grupo de fé diferente do nosso. O Estado existe para o bem comum de seus cidadãos, independente de raça, cor ou religião.

QUAIS SÃO AS ORDENANÇAS DE UMA IGREJA BATISTA?
O Batismo e a Ceia do Senhor.

O QUE É BATISMO?
A palavra batismo quer dizer “imersão”; portanto, imersão nas águas, que simboliza morte e sepultamento em Cristo. Ao emergir (voltar das águas), essa emersão simboliza a ressurreição do crente em Cristo, para viver em novidade de vida (Rm 6.3,4). Alguns grupos evangélicos batizam por aspersão (jogar um pouco de água sobre a cabeça), mas não é este o significa da palavra batismo e nem encontramos nas escrituras alguém que foi batizado sendo jogado um pouco de água na sua cabeça. (Mt 3.16; At 8.38,39)

Esta doutrina custou um preço altíssimo para os batistas ao longo da história, pois houve muita perseguição e morte dos fiéis batistas por não batizarem crianças e batizarem por imersão. Conta-se que famílias batistas eram amarradas todas juntas a pedras grandes e jogadas em lagos para morrerem imersas nas águas, tudo isto por não negar a sua fé na Palavra.

QUEM DEVE SER BATIZADO?
Somente aquele que tendo aceitado a Cristo como Senhor e Salvador cumpre o que determina a Palavra de Deus em II Cor 5.17. Após a sua conversão, o novo crente é discipulado, levado a dar profissão e fé e posteriormente conduzido ao batismo.

POR QUE NÃO BATIZAMOS CRIANÇA?
Porque a Bíblia nos diz que para ser batizado é necessário o arrependimento de meus pecados e o recebimento, por fé, de Jesus Cristo como meu Salvador e Senhor (At 2.41; At 3.19, At 8.36, 37), uma criança não possui entendimento suficiente para tomar tal decisão.

POR QUE O BATISMO É UMA ORDENANÇA?
Porque é uma ordem dada por Jesus (Mt 3.5, 6, 13, 17).

O BATISMO SALVA?
Não. Só Jesus Cristo pode por Graça e mediante a fé salvar o homem perdido (Ef 2.8, 9). O pecador que se encontrou com Jesus na cruz, foi salvo sem ser batizado (Lc 23.39-43).

SE O BATISMO NÃO SALVA, PARA QUE SER BATIZADO?
Porque é uma ordem de Cristo, e como tal precisa ser cumprida (Mt 28.19).

QUANTAS FORMAS DE BATISMO EXISTEM?
Apenas uma, embora alguns grupos (católicos, presbiterianos e episcopais) pratiquem o batismo por aspersão (água sobre a cabeça).

QUAIS AS EXIGÊNCIAS PARA QUE ALGUÉM SEJA BATIZADO?
Reconhecer que é pecador; crer que somente Jesus Cristo pode salvá-lo; aceita-Lo como Salvador; Obedecê-Lo como Senhor.

QUAIS SÃO AS FORMAS DE ENTRADA EM UMA IGREJA BATISTA?
Batismo – Forma natural de alguém que foi convertido ao Evangelho; a pessoa é discipulada, levada a dar profissão de sua nova fé e posteriormente imersa nas águas. O Batismo pode dar-se em um batistério (grande recipiente que comporta água suficiente para imergir o novo fiel), na piscina, na cachoeira, no açude e até mesmo em um buraco cavado no chão e cheio de água (pr Sergio – África).

Carta de Transferência – Forma como as igrejas batistas se comunicam, toda vez que alguém deseja ingressar em nossa igreja, vindo de outra igreja, é enviada uma carta para a igreja de origem, solicitando a formalização da transferência do novo membro. Esta igreja de origem responde a carta com outra carta, onde ratifica a transferência. Isto pode parecer formalidade de mais, mas é uma maneira de melhor se organizar e receber informações daquela pessoa que deseja ser membro de sua igreja.

Reconciliação – Ocorre quando a pessoa passou por um processo de exclusão da lista de membros de uma igreja batista e deseja agora se tornar membro novamente.

Aclamação – Quando o candidato pertencia a uma outra igreja evangélica que não fosse a batista, não ocorre o envio de cartas, mas a igreja em assembléia decide se recebe ou não o a solicitação do ingresso do fiel.

QUAIS AS FORMAS DE SAÍDA DE UMA IGREJA BATISTA?
Carta de transferência – Maneira mais comum de saída de um membro da igreja batista.

Morte – É registrado em assembléia a morte do membro da igreja.

Exclusão – Por desvio doutrinário ou abandono da fé cristã, pode ocorrer a exclusão de um membro. Geralmente se dá após a busca efetiva da igreja na restauração do membro, caso se esgotem todas as possibilidades não há outra solução.

Carta compulsória – Maneira pouco usual, mas geralmente se dá quando ocorre litígio entre a igreja e o membro.
Toda a entrada e saída de membros da igreja, não importa a forma que se dê, deve passar pela assembléia da igreja, pois esta é a autoridade máxima da igreja e somente ela pode deliberar sobre tais assuntos. Mas é importante que esses momentos possam ser conduzidos por um espírito cristão genuíno e livre que cismas e partidos, pois muitas vezes o que ocorre é que as assembléia viram campo de batalha de idéias e cheias de gostos pessoais.

Pr Fulvio Santos

A JESUS CRISTO SEJA TODA HONRA E GLÓRIA

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

75 ANOS DA IGREJA BATISTA DE FONTINHA

ESTUDOS BETESDA / ECLESIOLOGIA

ECLESIOLOGIA


PARTE 3

“Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus” Ef 3.10

Tenho certeza que você, já nessas duas partes de nosso estudo, viu que existem muitas questões importantes sobre a igreja, que são desconhecidas pela maioria dos crentes. Por isso gostaria que você a cada estudo se dedicasse ainda mais a conhecer esta que é chamada por “Noiva de Cristo”. Qual tem sido a sua contribuição para que esta “noiva” seja encontrada pura, feliz e cheia de vida?

Neste estudo estaremos falando sobre o pastor, é muito importante estudarmos sobre esses homens que foram chamados por Deus para estar à frente de uma igreja, conduzindo e cuidando das ovelhas do Supremo Pastor (I Pe 5.4). Vejo que tem havido um grande desequilíbrio na relação da igreja com eles, veja alguns comportamentos que são extremos e, portanto errados:

O Pastor como semideus – Já foi época em que este tipo de pessoa era encontrado somente em igrejas Neopentecostais, hoje encontramos facilmente eles dentro de nossas igrejas batistas. Possuem um tipo de comportamento que não aceita questionamentos e divergência de opinião, todos que assim se comportam são tratados como “rebeldes”, pois discordaram do “anjo da igreja”. Possuem um comportamento “papal,” e são responsáveis por um grande número de casos de abuso espiritual, deixando para trás um grande número de pessoas feridas, devido o seu autoritarismo, e que consequentemente não querem mais ouvir o nome igreja e muito menos pastor. Este não é o tipo de pastor bíblico!

O pastor como um empregado da igreja – Este tipo de pastor se aproxima muito mais da nossa realidade como igreja batista, pois vemos muitos homens fiéis a Deus que dedicam sua vida na edificação de uma igreja, sofrerem casos terríveis de desrespeito, exatamente porque suas “ovelhas” o tratam como alguém descartável e sem muito valor. Usa-se muitas vezes a lógica do mercado, o funcionário tornou-se velho, desatualizado e não traz o resultado que alguém mais jovem pode trazer, trocam então um de 60 por outro de 20 ou 30. Costumo usar muitas vezes o seguinte exemplo, experimente falar mal do pastor nesses dois ambientes:

 Dentro de uma igreja neopentecostal – Tenho certeza que um grupo de obreiros irá tirá-lo de dentro da propriedade da igreja, isso se não tomar antes uns “petelecos”.

 Dentro de uma igreja batista – Rapidamente você encontrará alguém para te ajudar a destruir a vida daquele pastor.

Este retrato é muito triste, e mostra como precisamos conhecer mais sobre este homem que foi escolhido por Deus para ser benção na vida da igreja e da mesma maneira a igreja ser benção em sua vida.

QUAL É O SIGNIFICADO DA PALAVRA PASTOR?

Pastor significa “ternura”. No Novo Testamento recebe a função de orientador espiritual da Igreja (Tito 1.5-9). O seu significado não quer dizer que ele sempre vai ser doce, pois algumas vezes ele precisa fazer como Moisés (homem mais manso da terra – Nm 12.3), quebrar a pedra (as tábuas da Lei) e disciplinar o povo.

QUAIS OS OUTROS NOMES DADOS AO PASTOR E QUAL O SEU SIGNIFICADO NO NOVO TESTAMENTO?

Bispo (superintendente, aquele que supervisiona) e Presbítero (dignidade).

QUAL A RELAÇÃO QUE DEVE EXISTIR ENTRE O PASTOR E SUA IGREJA?

De absoluta lealdade e fidelidade à Palavra de Deus, além do cultivo de uma relação repleta de amor, carinho, camaradagem, respeito, obediência, etc.

“Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” Hb 13.17

QUAL DEVE SER A POSTURA DO PASTOR DIANTE DE SUA IGREJA?

Servo (Fp 2.5-11) – Assim como cristo esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo, os pastores devem ser os primeiros a servir a igreja e sua comunidade. Em I Cor 4.1, o pastor é apresentado como ministro (huperetes), que representa o remador subordinado, o escravo mais inferior, mais servil e mais desprezado de uma galé, que remavam nas fileiras inferiores da embarcação.

Mordomo “oikonomos” (I Cor 4.1-2) – Pessoa responsável por cuidar de todos os negócios domésticos do seu senhor, como, por exemplo, imóveis, campos, finanças, alimentação, outros servos e, às vezes, até mesmo dos filhos do dono da casa.

DE QUE FORMA A IGREJA PODE SER BENÇÃO PARA O PASTOR?

Cuidando da parte administrativa da igreja – Vemos lá em Atos 6.4, a Igreja de Jerusalém elegendo diáconos para que os pastores tivessem tempo para oração e o ministério da Palavra

Entendendo que o pastor é gente e tem os seus direitos

Direito a momentos de lazer e descanso com sua família – Encontramos muitos pastores estressados e com sua família se “desmantelando”, exatamente porque ele dedicou-se com todas as suas forças à igreja e sua família ficou de lado. A mesma prioridade que existe na vida do crente (Deus, família e igreja/trabalho), deve existir também para o pastor.

Direito a ter seus amigos pessoais – Muitos pastores passam por problemas sérios dentro de suas igrejas, porque os crentes sentem-se enciumados pelo pastor e sua família ter aqueles que são mais próximos. Ou seja, todos têm direito a ter amigos íntimos, mas o pastor e sua família tem que ser diferente. Se o pastor convidar alguém da igreja para um churrasco em sua casa e não convidar todos os irmãos, tá armado uma confusão.

Direito a férias – O ministério pastoral, ao contrário do que muitas pessoas pensam, é extremamente cansativo e exige que o pastor esteja bem em sua vida espiritual, emocional e física. As férias contribuem muito para essa saúde do pastor e sua família

Direito há uma remuneração que não lhe deixe passando necessidade e constrangimentos – Existem dois extremos, aqueles pastores que estão enriquecendo com o ministério, e isso é um pecado! Não consigo ver Jesus e nem um dos líderes da Igreja Primitiva, enriquecendo do ministério pastoral. E aqueles, que são a maioria, que passam muita dificuldade para viver integralmente para o ministério da Palavra. O pastor precisa ter uma remuneração que lhe permita viver sem passar necessidades e proporcionar a sua família o mínimo de conforto. A igreja que entende isso é ricamente abençoada, pois encontra no seu pastor alguém que pode dedicar-se intensamente ao ministério sem as preocupações financeiras que estariam sugando suas forças. Qual seria o parâmetro para uma boa remuneração, creio que deveria ser levado em conta dois fatores: Possibilidade da Igreja X Necessidade da família do pastor. Isso significa que deve haver coerência e bom senso, uma igreja no interior possui parâmetros diferentes de uma igreja na Zona Sul do RJ.

Direito a passar por momentos de desânimo – O pastor não é um super-homem, mas assim como qualquer membro da igreja, ele pode passar por momentos de cansaço e fadiga. A igreja precisa entender essa questão e não descarta-lo se algum dia isso acontecer, mas estar pronta para amar e cuidar do seu pastor em qualquer situação.

Direito de errar – A igreja deve ser responsável pelo seu pastor até no momento de crise ou pecado. Não podemos ser um exército que deixa seus líderes feridos abandonados pelo caminho. Isso não quer dizer que a igreja vá fazer “vista grossa” para os erros cometidos pelo pastor. Na verdade ele deve ter pessoas que possam confrontá-lo com amor e liberdade para que pecados sejam evitados.

Direito a privacidade – O pastor precisa do seu espaço onde ele fica a vontade com sua família, onde assista seu programa de televisão favorito e pratique o seu esporte favorito.

Ser honrado (I Tm 5.17) – Como precisamos aprender o valor de dar honra aos nossos líderes. Isso não significa necessariamente dar algum tipo de gratificação financeira a ele, mas demonstrar com nossas atitudes o quanto o amamos e somos felizes por ser sua ovelha.

QUAIS AS QUALIFICAÇÕES DO PASTOR?

Encontramos em I Tm 3 e Tt 1 as qualificações pastorais, iremos apresentar algumas destas qualificações. Saber quais são essas qualificações são extremamente importante, pois “nem tudo que brilha é ouro”, ou seja, existem muitos homens que se apresentam como pastor, mas que não apresentam as qualificações necessárias.

 Irrepreensível

 Marido de uma só mulher

 Vigilante

 Sóbrio

 Honesto

 Hospitaleiro

 Apto para ensinar

 Não dado ao vinho

 Não espancador

 Não cobiçoso de torpe ganância

 Moderado

 Não contencioso

 Não avarento

 Que governe bem a sua própria casa

 Não neófito

 Bom testemunho dos de fora

Propositalmente não irei comentar cada uma dessas qualificações, pois entendo que precisaríamos de muito mais tempo e folhas para detalhar cada uma delas. Mas o propósito é mostrar que não basta a pessoa completar um curso de Bacharel em Teologia, ser carismático ou apresentar um “bom discurso”. É necessário ter um chamado específico de Deus, ter o testemunho de sua família, igreja e comunidade, além de se encontrar aprovado mediante I Tm 3 e Tt 1.


Pr Fulvio Santos

A JESUS CRISTO SEJA TODA HONRA E GLÓRIA

ESTUDOS BETESDA / ECLESIOLOGIA

ECLESIOLOGIA

PARTE 2

“E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.” Ef 1.22, 23

Creio que já neste segundo parte do estudo sobre a Igreja do Senhor, você já tenha aprendido algo a mais sobre a noiva de Cristo, pois esse conhecimento pode determinar como seremos igreja e como nos relacionaremos com ela. Aproveite este estudo para se deliciar no conhecimento da Palavra de Deus, pois não há nada mais prazeroso do “prosseguir em conhecer o Senhor” (Os 6.3).

No estudo de hoje estaremos falando sobre o propósito da igreja, seus oficiais e seus significados e qualificações e as ordenanças da Igreja.

QUAL O PROPÓSITO DA EXISTÊNCIA DA IGREJA?

Glorificar a Deus (Jo 4.24) – Tem havido em muitas igrejas um entendimento errado sobre o que significa glorificar a Deus. Associam glorificar a Deus como sendo um estilo de música própria ou um momento onde os crentes se reúnem e juntos cantam, dançam e batem palmas. As igrejas mais tradicionais, geralmente, dizem que temos que glorificar a Deus com “ordem”. Já as novas comunidades, geralmente, dizem que para glorificar a Deus precisamos movimentar mais o corpo, levantar as mãos. Mas entendemos que glorificar a Deus não está atrelada a expressões corporais, sejam elas mais calmas ou mais agitadas, mas única e exclusivamente a um estilo de vida que traga glória a Deus! A música, portanto, não é a única expressão de glória a Deus que podemos demonstrar. Cremos que nossa música não deve ser exclusivamente do séc.XVIII como alguns entendem, nem ser somente “gospel”, mas contemporânea e voluntária entre os membros da congregação. Dizer que Deus tem preferência por algum estilo musical seria atestar o nosso miserável conhecimento de Deus!

Evangelizar (Mt 28.18-20) – É uma ordem dada por Jesus a seus discípulos e consequentemente a sua Igreja. Podemos evangelizar através da comunidade local, realizando atividades que levem a mensagem de salvação aqueles que desconhecem o amor de Deus, mas não podemos esquecer que todos devemos ser evangelistas 24 h por dia, onde quer que estejamos.

Quando evangelizamos, não estamos tentando ganhar somente uma alma para Deus, mas o homem todo, ou seja:

“O EVANGELHO TODO, PARA O HOMEM TODO EM TODO LUGAR!”

Isto nos leva a entender que o evangelho compreende a transformação do indivíduo como um todo, um novo pensar, sentir e agir.

Produzir crentes maduros e santos (Sl 27.4) – “A Igreja deve ser a “estufa” onde os crentes são amadurecidos e tornados santos. A Igreja deve ser uma fábrica para produzir crentes maduros e santos. Com efeito, é o que ela tem feito ao longo dos anos. Aqueles que tem cultivado o salutar costume de buscar a glória do Senhor no Seu templo, têm experimentado uma elevada vida de crescimento e santidade.”

Cuidar das necessidades de seus membros (Tg 2.14-26 / I Tm 5) – A Bíblia nos oriente a cuidar dos “domésticos na fé”, principalmente dos órfãos e das viúvas em suas necessidades. Não podemos ser o tipo de igreja que não se envolve na solução dos problemas sociais de seus membros.

Praticando o bem no mundo (At 2.47) – Lucas vai dizer que a igreja caiu na graça do povo, ou seja, estava exercendo a sua influência de maneira positiva e edificante. Não era uma comunidade de crentes que se excluía das necessidades de sua cidade e nem se afastava dos “perdidos pecadores”, mas vivia no meio deles, os amava e pregava o verdadeiro Evangelho, aquele que traz um novo sentido para a vida. Cremos em uma igreja cujos membros são “sal fora do saleiro”, dão sabor ao local onde estão.

QUAIS SÃO OS OFICIAIS DE UMA IGREJA BATISTA?

Pastores e diáconos. (I Tm 3.8-13; At 6). Somos uma igreja que não cremos na instituição de apóstolos e bispos, pois não vemos base bíblica para a instituição destes e temos observado que os que assim se apresentam não realizam a tarefa a que cada expressão propõe. Cremos sim que esses dois oficiais (pastores e diáconos) são apresentados na bíblia como chamados e capacitados para servir ao Corpo de Cristo. Quanto ao ministério diaconal que muitas igrejas tem abolido, nós cremos que estes devem nascer espontaneamente e cumprir as qualificações e funções bíblicas.

QUAL O SIGNIFICADO DA PALAVRA DIÁCONO E QUAL A SUA FUNÇÃO?

“Diácono significa: “servo”. Como tal, seu ministério principal é servir. Todavia, para bem servir, o diácono deve preencher as qualificações expressas em At 6.1-6 e I Tm 3.8-10; 12,13.

QUAIS TAREFAS ESPECIAIS DEVE DESEMPENHAR O DIÁCONO?

Deixar desembaraçado o ministério pastoral – “Logo no início do Cristianismo, os discípulos, sufocados pelos problemas administrativos eclesiásticos, buscaram a orientação do Espírito Santo e foram iluminados. Homens cheios do Espírito e de boa reputação foram escolhidos pela Igreja para tomarem sobre si as tarefas que pesavam sobre os discípulos. Graças a Deus por essa divina providência. Ainda hoje a missão do diácono continua sendo a de aliviar o Pastor das tarefas administrativas que sobre ele se acumulam.”

Promover a paz na Igreja – “Na mesma medida que a Igreja primitiva crescia, cresciam também as murmurações. Foi precisamente nesse contexto que surgiram os diáconos, como pacificadores de Deus. É sabido que quando há murmuração a Igreja não avança. Lá, os diáconos promoveram paz.

Promover o bem estar dos crentes – Diáconos foram eleitos na igreja de Jerusalém, exatamente porque algumas viúvas estavam ficando desassistidas e precisam que alguém cuidasse delas. “O diácono precisa estar atendo às necessidades dos membros da família de Deus”.

Dar testemunho mais eficaz – Na escolha dos primeiros diáconos, o texto de At 5 vai dizer que eles eram homens: com boa reputação, cheios do Espírito Santo, cheios de sabedoria e de fé. A Igreja cresceu saudável e os diáconos tiveram participação direta neste crescimento.

Reforçar a liderança – Eles contribuíam para que os líderes da igreja tivessem tempo para buscar ao Senhor e desenvolver o ministério. “O diácono consciente de seu ministério é uma poderosa alavanca que empurra sempre a obra de Deus para frente e para o alto. Quem tiver um diácono assim, tem um tesouro.

QUAIS AS QUALIFICAÇÕES NECESSÁRIAS PARA O DIACONATO?

Segundo At 6.1-6 e I Tm 3.8-13, suas qualificações são:

Boa reputação – “Deve ser uma pessoa de quem os homens falam somente coisas boas. Deve ser uma pessoa que tenha credibilidade diante do mundo, de boa fama, de bom conceito.”

Cheio do Espírito Santo – “Cheio” significa “coberto inteiramente, permeado totalmente por alguma coisa, completo, não falta nada.” Significa, portanto, sinceridade absoluta, dedicação de corpo e alma. Vale dizer, “estar cheio do Espírito Santo” é estar completamente entregue à Sua direção. “Quando o Espírito Santo se apossa inteiramente do cristão, produz nele santidade de vida e lhe confere o poder divino para realizar boas obras” (O Diácono na Bíblia, pg 31).

Cheio de sabedoria – “Não significa que o diácono tem de ser letrado. Nem sempre homens de muitas letras são homens sábios. Quanto mais espiritual, tanto mais o homem há de ser sábio. Sábio até para apagar fogo.”

Cheio de fé – “Um diácono devidamente equipado com o Espírito Divino e que conhece bem seu programa e propósito é força reconhecida por todos. De fato, o homem se faz irresistível, quando revestido do Espírito e cheio de fé”

Não de língua dobre – Significa que o diácono não deve ser um homem de duas palavras.

Não dado a muito vinho – O álcool é a droga que mais mata no mundo, e o cristão não pode fazer parte destas estatísticas tristes. Além do mais esta é a porta de entrada para as outras drogas mais pesadas.

Não cobiçoso de torpe ganância – Alguém que ama o dinheiro, que coloca o dinheiro como um ídolo em sua vida. Suas motivações e ações giram em torno do “quanto eu ganho como isso”. Precisa ser alguém que sabe que o dinheiro é um ótimo servo, mas um péssimo senhor. Um diácono portanto que vive endividado e sujo no SPC/SERASA, não está qualificado para este ministério.

Sérios – Embora alegre, o diácono deve ser sério nas suas atitudes e firme na sua postura. Pv 2.11

Que guarde o ministério da fé em uma pura consciência – Espera-se que o diácono seja um homem de grandes convicções espirituais. Que seja o depósito de Deus neste mundo corrompido e perverso, mas que aguarda com ardente expectação a manifestação dos filhos de Deus.

Provados – Não pode ser um neófito (novo na fé), mas alguém que tenha passado pela prova do tempo.

Irrepreensíveis – Não quer dize que ele deva ser perfeito, mas não se encontra em sua vida dolo, má intensão do coração, é preciso que ele seja alguém que as pessoas não possam falar do seu caráter.

Marido de uma só mulher e que governe bem a sua casa – Espera-se que este homem seja fiel a sua esposa e dedicado a sua família. “Se o diácono for incapaz de cuidar do seu lar, certamente será incapaz de cuidar da Casa de Deus.”

SEGUNDO O NOVO TESTAMENTO, QUAIS AS TRÊS MESAS DESIGNADAS AOS DIÁCONOS DE UMA IGREJA BATISTA?

“Mesa do Senhor” – Cuidar das questões relativas a Ceia do Senhor.

“Mesa da Igreja e comunidade” - Buscar os necessitados da igreja e sua comunidade e atende-los.

“Mesa do pastor“ – Ele precisa ser alguém tão próximo do pastor e sua família de maneira a perceber as suas necessidades e fazer o possível resolvê-las

Pr Fulvio Santos

A JESUS CRISTO SEJA TODA HONRA E GLÓRIA

POR QUE PLANTAR UMA IGREJA?


“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” Mt 28.19

 A plantação de novas igrejas é o meio mais efetivo para o cumprimento da grande comissão que nos foi deixada por Cristo.


 Novas igrejas não despendem energias na tentativa de solucionar pendências históricas e administrar conflitos passados as quais drenam boa parte de suas forças.


 Novas igrejas empenham a maior parte de seus recursos e esforços na tentativa de comunicar o evangelho de Jesus àqueles que ainda não o conhecem.


 Novas igrejas adaptam-se mais facilmente ao contexto em que estão inseridas e à cultura daqueles a quem desejam comunicar o Evangelho.


 Novas igrejas são caracterizadas por novos cristãos, os quais, nos primeiros anos de caminhada cristã, mostram-se mais efetivos na evangelização do que cristãos mais experientes.


 Novas igrejas desafiam as igrejas já existentes em sua região a um repensar teológico e estratégico o que contribui para o processo de revitalização.


Rev Ricardo Agreste
Centro de Treinamento Para Plantadores de Igrejas - CTPI