Mostrando postagens com marcador Avivamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Avivamento. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de janeiro de 2013

HOMENS QUE INCENDIARAM



HOMENS QUE INCENDIARAM

Não é tão simples falar de homens que viveram ou vivem muito perto de Deus, tendo um relacionamento íntimo com Ele. Isto se dá pelo fato da compreensão deles estar muito além da nossa. Os que compreenderam ou compreendem sobre Deus, Jesus, Espirito Santo e sobre o pecado vai, muita das vezes, além de nosso entendimento. Ao ponto de acharmos que Deus tem filhos prediletos e que, o que ocorreu com estes homens foi naquela época e não se aplica hoje.

Há aproximadamente quinhentos anos, o mundo conheceu e admirou homens que deixaram suas marcas de coragem, determinação, fé, abnegação e amor à obra de Cristo. Hoje, em pleno século XXI, a história e perseverança desses admiráveis servos de Deus continuam vivas e inspirando os corações daqueles que realmente desejam fazer a vontade de Deus.

Sentindo as necessidades dos homens que perecem sem Cristo, os heróis da fé romperam limites, desafiaram os pecados do povo e não se intimidavam com as ameaças dos poderosos da época. Com sermões cheios de unção, milhares de vidas foram impactadas pela fé sobrenatural destes, que tinham em Cristo, o refrigério e força para prosseguirem nessa árdua tarefa de desafiar e combater o pecado em um mundo cada vez mais arraigado no pecado e na maldade.

Muitos crentes ficam satisfeitíssimos por, apenas, escapar da perdição! Eles ignoram "A plenitude do Evangelho de Cristo" (Romanos 15.29). "A vida em abundância" (João 10.10). É muito mais do que ser salvo, como se vê ao ler as biografias.

Jonathan Edwards = Há dois séculos e meio que o mundo fala do famoso sermão: Pecadores nas mãos de um Deus irado e dos ouvintes que se agarravam aos bancos pensando que iam cair no fogo eterno. Esse fato foi, apenas, um dos muitos que aconteceram nas reuniões em que o Espírito Santo desvendava os olhos dos presentes para eles contemplassem as glórias do céu e a realidade do castigo que está bem perto daqueles que estão afastados de Deus. Mas por que isto aconteceu?

John Bunyan = "Caminhando pelo deserto deste mundo, parei num sítio onde Havia uma caverna (a prisão de Bedford): ali deitei-me para descansar. Em breve adormeci e tive um sonho. Vi um homem coberto de andrajos, de pé, e com as costas voltadas para a sua habitação, tendo sobre os ombros uma pesada carga (Pecado) e nas mãos um livro (Bíblia)".

George Whitefield = Mais de 100 mil homens e mulheres rodeavam o pregador, há mais de duzentos anos, em Cambuslang, Escócia. As palavras do sermão, vivificadas pelo Espírito Santo, ouviam-se distintamente em todas as partes que formavam esse mar humano. Difícil é, no vulto da multidão fazer ideia dos 10 mil penitentes que responderam ao apelo para se entregarem ao Salvador. “Havia como um fogo ardente encerrado nos ossos deste pregador”, que era George Whitefield. Ardia nele um zelo santo de ver todas as pessoas libertas da escravidão do pecado. Durante um período de vinte e oito dias fez a incrível façanha de pregar a 10 mil pessoas diariamente. Sua voz se ouvia perfeitamente a mais de um quilômetro de distância, apesar de fraco de físicamente e de sofrer dos pulmões. Príncipe dos pregadores ao ar livre, porque pregava em média dez vezes por semana, e isso fez durante um período de trinta e quatro anos, em grande parte sob o teto construído por Deus:  os céus. 

O primeiro pensamento que deve encher nossos corações é: Deus não tem filhos prediletos e que os avivamentos que lemos e ouvimos podem ocorrer ainda hoje. Por vezes temos a impressão de Deus ter abençoado algumas pessoas mais do que outras (Rm 2.11; At 10.34). Achamos que Deus derrama mais do seu Espírito sobre uns poucos felizardos (Jo 3.34), que Deus derrama a sua benção naqueles que mais merecem (Ef 2.1-10).

O segundo pensamento que precisamos ter é: o que estes homens tinham em comum? É claro que cada um deles tinha uma característica marcante, mas isso não os fazia serem usados poderosamente por Deus. Deus usou homens letrados como Moises e Paulo, e homens leigos como Pedro. Deus falou pela boca de servos que tinham problemas para falar como Moises e homens com boa oratória como os profetas que eram verdadeiros artistas na palavra. Deus usou homens com carisma que cativavam as pessoas e outros que liam seus sermões monotonamente. Deus usou homens ricos e pobres, brancos e negros, bonitos e feios, altos e baixos, gordos e magros. Deus usou homens com vozes fortes e outros com fracas, alguns tinham vozes de locutor e outros causariam irritação aos ouvidos se não fosse a unção sobre eles. Estas características diferem de pessoa para pessoa, sendo assim, o que eles tinham em comum? O que fazia deles homens tão usados por Deus? Qual era o segredo destes homens? É a pergunta que fazemos.

·        Homens cheios do Espírito Santo tem caráter (Sl 15). Caráter é aquilo que você é “no escuro”. O caráter não tem haver como você se mostra perante determinado meio social, tem a ver com os valores e a moral.

 

Caráter é um conjunto de características e traços particulares que caracterizam um indivíduo ou um grupo. É uma qualidade inerente a uma pessoa refletindo o seu modo de ser.

 

O caráter não sofre as influências do meio, uma vez que ele é próprio de cada pessoa. Já a personalidade, o humor e o temperamento podem sofrer alterações em função da adaptação familiar, pedagógica e social do indivíduo.

 

O conjunto das qualidades e defeitos de uma pessoa é que vão determinar a sua conduta e a sua moralidade. Os seus valores e firmeza moral definem a coerência das suas ações, do seu procedimento e comportamento.

 

Uma pessoa "sem caráter", geralmente é qualificada como desonesta, pois não apresenta firmeza de princípios ou de moral. Por outro lado, uma pessoa "de caráter" é alguém com formação moral sólida e incontestável.

 

O caráter quando é forte, não se deixa levar por alguma proposta de uma via mais fácil para a realização de algo. Mesmo se naquele momento parece ser o melhor caminho a seguir, é o caráter que vai determinar a escolha do indivíduo.

O caráter é modelado através da experiência, cultura, educação e formação familiar e pode ser sempre aperfeiçoado com perseverança e determinação.

 

·         Homens cheios do Espírito Santo tem como base a valorização da família (ITm 3.5). Um homem de Deus sabe que sua primeira função é ser esposo, sua segunda função é ser Pai e se sobrar tempo ele prega. O que adiantaria ganhar o mundo e ver seu filho perdido. Do que valeria salvar milhares de lares e ver seu lar afundando na discórdia.

 

·        Homens cheios do Espírito Santo tem como base de vida o perdão (Mt 18.23-35). O homem cheio do Espírito Santo perdoa o maior dos seus inimigos, pois, se a pessoa não consegue perdoar é porque não nasceu de novo! Se esta pessoa não entendeu o grande perdão de Deus, ela não perdoa, pois não é salva.

 

·        Homens cheios do Espírito Santo tem como base de vida a oração. O que esses homens tinham em comum?  Uma vida de consagração e oração.

Lemos, por exemplo, nos livros da vida de Adoniram Judson que ele foi um homem extraordinário na mão de Deus. Porém em sua preciosa biografia, escrita por um de seus filhos, Eduardo Judson, descobre-se que esse talentoso missionário passava diariamente horas a fio, de noite e de madrugada, em íntima comunhão com Deus, em oração.

 

Jonathas Edward costumava passar treze horas estudando e orando todos os dias; João Wesley considerava a oração a coisa mais importante de sua vida, tanto é, que todo o dia levantava-se religiosamente às 4 horas da manhã; Jorge Whitefield, pregador escocês do século XVIII assim dividia o seu tempo: 8 horas sozinho com Deus; 8 horas para dormir e refeições, 8 horas para trabalho entre o povo; Dwight Lyman Moody, de acordo com biógrafos, após, uma viagem cansativa de trem, chegando ao hotel passava o resto da noite em oração.

Todos os grandes ganhadores de almas através dos séculos foram homens e mulheres incansáveis na oração. Conheço como homens de oração quase todos os pregadores de êxito da geração atual, tanto como os da geração próxima passada, e sei que, igualmente, foram homens de intensa oração.

Se você ora menos de 2 horas por dia você vale menos que um centavo, disse Ravenhill.

Mas como era a oração destes homens.

1.     Sincera – Falar com Deus, afirmando querer fazer muitas coisas, estando na verdade desanimado ou não querendo fazer, é tão ruim quanto não orar.

2.    Fervorosa – orar só para cumprir uma obrigação ou para dizer que passou um tempo falando com Deus é tão ruim quanto blasfemar.

3.    Com Deus – orar sem estar na presença de Deus, é como orar para o “nada”, orar para que suas orações fiquem no teto. É orar de forma vã.

4.    Com intimidade – a oração é a intimidade de um filho com seu Pai celestial.

 

·        Homens cheios do Espírito Santo tem como base de vida a Palavra de Deus (Jo 5.39; Hb 4.12). Ela é seu guia, sua regra, sua prática diária, seu conhecimento, sua inspiração, sua motivação. É da Palavra de Deus que vem o verdadeiro alimento. A Palavra de Deus é a verdade axiomática no coração do crente.

 

·               Homens cheios do Espírito Santo tem como base de vida a fé (Hb 11). Muitos não deixam sua espada – a Bíblia - em casa, mas sua principal arma a fé nunca está em seus corações. A principal arma do cristão é a FÉ.

 

Conclusão

Concluo dizendo que depois de ler e reler várias biografias cuidadosamente, que os “heróis da fé” eram homens comuns sujeitos as mesmas paixões que nós (Tg 5.17). E que não se pode atribuir o êxito de qualquer deles a seus próprios talentos, força de vontade ou esforços. Certamente foi obra de Deus em homens frágeis e simples, homens de oração, cheios do poder do Espírito Santo em seus corações.

Diego Rumão

 

A JESUS CRISTO SEJA TODA HONRA E GLÓRIA!!






segunda-feira, 2 de julho de 2012

ACORDE IGREJA - David Wilkerson e Leonard Ravenhill

CONHECIDO NO INFERNO

Alguns pregadores dominam bem o assunto de que tratam; outros são dominados por eles. De vez em quando encontramos um que além de dominá-lo bem, também é dominado por ele. Tenho certeza de que o apóstolo Paulo pode ser incluído entre estes.
Vejamos um episódio ocorrido em Éfeso (At 19). Sete homens estavam tentando libertar um endemoninhado, utilizando determinada fórmula religiosa. Mas dirigir termos teológicos e até mesmo versículos bíblicos a um endemoninhado é um método ineficaz de libertação. Seria o mesmo que tentar deslocar a rocha de Gibraltar atirando-lhe bolas de neve. E o homem dominado pelo demônio, apesar de ser um só, subjugou facilmente aqueles tolos. E enquanto os filhos de Ceva saíam correndo para a rua, nus e derrotados, o que estava possesso de um espírito imundo acrescentava ao seu guarda-roupa mais sete vestes. E a imagem dos sete, feridos e amedrontados, já dizia tudo. Mas Deus usou a insensatez deles para glorificar o nome de Cristo, pois por causa desse episódio o nome dele foi engrandecido. Adeptos do espiritismo foram salvos; judeus e gregos se converteram; queimaram-se, em enorme fogueira, livros de artes mágicas, cujo valor chegava a cinqüenta mil moedas de prata. Certamente esse acontecimento fez com que até a ira humana o louvasse (Sl 76.10). E observemos ainda o testemunho do demônio: “Conheço a Jesus, e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?” (At 19.15). Esse é o maior elogio que o inferno pode fazer a alguém: associar seu nome ao de Jesus.
Mas como foi que Paulo se tornou este tipo de cristão? Por que os demônios o conheciam? Já o haviam derrotado também, ou fora ele quem os derrotara? Pensemos um pouco nesse apóstolo. Ele conhecia a Deus intimamente, a ponto de o Senhor lhe fazer revelações. Os anjos o serviam; suas orações provocavam terremotos. Suas palavras, dinamizadas pelo poder do Espírito, estraçalharam os grilhões que acorrentavam uma jovem dominada por espíritos malignos, que era explorada por seus patrões fazendo adivinhações. Em Corinto, esse poderoso homem de Deus ensinou a Palavra e estabeleceu uma igreja, bem à porta do diabo. Mais tarde, conquistou almas na própria casa de César, bem debaixo do nariz do imperador. E sentia-se perfeitamente à vontade até na presença de reis: “Tenho-me por feliz, ó rei Agripa!” Além disso, invadiu os domínios da capital intelectual do mundo com a mensagem da ressurreição, chegando a deixar confusos os seus sábios. Enquanto Paulo viveu, o inferno não teve paz.
Mas qual era a armadura dele? Onde afiava sua espada? Uma expressão que ele emprega várias vezes é: “Estou bem certo”. Esse é o segredo de tudo. Ele se achava dominado pela verdade revelada, como se ela possuísse garras. E a Palavra de Deus, como o próprio Deus, é imutável. O apóstolo estava como que ancorado nas profundezas da fidelidade de Deus. Sua arma era a Palavra do Senhor; sua força era a fé que depositava na Palavra, Então o Espírito o alertava a respeito da estratégia que o diabo iria utilizar contra ele. Paulo estava sempre ciente de seus estratagemas. E assim o inferno se desesperava. Mesmo numa ocasião em que alguns homens tencionavam assassiná-lo, alguém descobriu a trama, e assim os demônios e homens viram seu plano frustrado.
Estar salvo do inferno e livre de cometer os pecados mais grosseiros é muito bom, mas, a meu ver, é uma condição espiritual muito elementar. Quando Paulo foi à cruz de Cristo, experimentou o milagre da regeneração e da conversão. Mas, depois, quando foi crucificado com Cristo, conheceu um milagre maior, o da identificação. Acredito ser esse o mais forte argumento do apóstolo — estar morto e vivo, ao mesmo tempo. “Porque morrestes”, diz Paulo aos colossenses. Vamos aplicar isso à nossa vida. Nós já morremos? morremos para as acusações e para os elogios? Morremos para o que ocorre no mundo, para as opiniões humanas? Morremos a ponto de não fazer mais caso do reconhecimento dos outros? Morremos de tal modo que não protestaremos se alguém receber os louvores por algo que foi idéia nossa? Ah que sublime, doce e gratificante experiência essa, de termos Cristo vivendo em nós por meio de seu Espírito! E assim podemos cantar como Wesley:
E, Paulo havia morrido. Mas depois acrescenta: “Já não sou eu quem vive”. O cristianismo é a única religião do mundo cujo Deus vive dentro daquele que crê nele. E Paulo já não lutava mais contra a carne (nem contra a sua, nem a dos outros). Sua luta agora era contra “os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso”. Será que isso explica por que aquele demônio disse: “e sei quem é Paulo!” É que o apóstolo estivera lutando contra as potestades demoníacas. (Em nossos dias, essa arte de ligar e desligar que Paulo dominava tão bem está quase esquecida, ou totalmente ignorada). E ao dar a última volta de sua corrida terrena, ele afirmou: “Combati o bom combate”. Os demônios devem ter dito “amém” a essa declaração, pois sofreram mais com Paulo do que o apóstolo com eles. É verdade. Paulo era conhecido no inferno.
Outro fator que o levava a ser tão destemido era o conhecimento que tinha da ira de Deus para com o pecado. “E assim conhecendo o temor do Senhor, persuadimos aos homens”. (2Co 5.11). Paulo via o pecador como um perdido! Outro dia vi alguém projetar um eslaide numa tela, mas a imagem estava embaçada, e não dava para identificar nada. Mas aí o operador acertou o foco e como a imagem melhorou! Assim também, nós, os crentes, estamos precisando enxergar com clareza o estado de perdição em que se encontram os homens, pois nossos olhos se acham embaçados com relação à eternidade. É preciso que Deus acerte o foco de nossa visão.
Paulo amava a Deus com perfeito amor e por isso odiava o pecado com ódio ferrenho. Por isso também via as pessoas não apenas como meros pródigos, mas também como rebeldes contra Deus; não apenas como se afastados da retidão, mas como conspiradores, aliados com a iniqüidade, que teriam de ser castigados ou então perdoados. E ele atacava a impiedade dos que se achavam subordinados às potestades demoníacas, com a intensidade do ardente fogo do amor. Sua senha era: “Uma coisa faço”. Ele não tinha interesses secundários, nem livros para vender. Não tinha ambições pessoais, por isso não tinha nada para zelar. Não tinha reputação, logo não tinha que lutar para defendê-la. Não possuía bens; portanto não tinha nada com que se preocupar. Não tinha direitos, então não havia motivos para se julgar vítima de injustiças. Já era falido; quem poderia roubar dele? Estava “morto”, quem poderia matá-lo? Era menor do que os menores; portanto ninguém conseguiria humilhá-lo. Perdera todas as coisas, logo ninguém poderia lográ-lo. Será que isso explica melhor por que o demônio disse: “E sei quem é Paulo?” O inferno deve ter tido muita dor de cabeça com esse homem cheio de Deus.
E havia ainda outra âncora, na qual se firmava esse grande homem de Deus: a eficácia do sangue de Jesus e sua capacidade de salvar totalmente. “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Verdade, mas Cristo pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus. Que o mundo possa vir a conhecer esse Cordeiro que opera tão perfeita expiação! Para Paulo a expiação não era algo limitado. Fora zelote e continuava a ser. À luz de um inferno eterno de que valeriam os efêmeros bens terrenos?
E em nossos dias também, de que valem as honrarias humanas? Ou os planos do inferno? Neste momento os homens estão tão perdidos como estarão depois que morrerem. Neste momento, a alma deles está sendo arrastada para um redemoinho de terrível iniqüidade, que por fim os precipitará no inferno eterno. Isso é verdade? Paulo estava convicto de que o era. Então, “Desperta, desperta, arma-te de força, braço do Senhor” (Is 51.9). E posso até ouvir Paulo dizer: “Faz de mim tua espada, teu armamento de guerra”.
Outra verdade sobre a qual Paulo se apoiava era a bendita certeza de que “deixar o corpo” era “habitar com o Senhor” (2Co 5.8). Para ele não há o sono da alma, nem aquele interminável estado intermediário, nada disso. Sair de uma vida é entrar logo na outra. Ante a idéia da eternidade, a linguagem era falha, e a imaginação claudicava. E ele considerava as chicotadas, as cadeias, os jejuns, cansaços e dores como uma “leve e momentânea tribulação”, que seria compensada pelo fato de que “estaremos para sempre com o Senhor”. Os demônios desperdiçaram sua munição contra Paulo. Portanto, é de se admirar que um deles tenha dito “e sei quem é Paulo?”
E a última verdade sobre a qual o apóstolo ancorava sua alma era: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo” (2Co 5.10). O fato de ele viver sempre com os olhos fixos nos valores eternos fez com que essa prova final também perdesse seu aguilhão. Vivendo da maneira certa aqui na terra (e não me refiro apenas em viver retamente, mas segundo o padrão proposto na Palavra de Deus), resolve-se o problema do além. Paulo se tornara tão semelhante ao Filho que podia dizer: “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai” (Fp 4.9). De um modo geral, é meio arriscado imitar uma cópia. Mas no caso de Paulo não, pois ele se achava plenamente rendido a Cristo, santificado e satisfeito, isto é, “aperfeiçoado em Cristo”.
Será que alguém ainda acha estranho um demônio haver dito “e sei quem é Paulo?” Eu não.
POR QUE TARDA O PLENO AVIVAMENTO?
LEONARD RAVENHILL

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

POR QUE TARDA O PLENO AVIVAMENTO - LEONARD RAVENHILL

Precisa-se: Um Profeta Para Pregar Aos Pregadores

Tentar fazer uma avaliação de João Batista pelos modernos padrões de espiritualidade seria o mesmo que tentar medir o sol com uma fita métrica. No Jordão, a multidão ansiosa indagou a respeito do recém-nascido:
— Que virá a ser, pois, este menino?
E a resposta foi:
— Ele será grande diante do Senhor.
Hoje em dia, a palavra “grande” se acha muito desgastada, pois confundimos proeminência com importância. Naquela época, Deus não estava à procura de sacerdotes, nem de pregadores, mas de homens. E havia muitos homens, como hoje, mas eram todos “pequenos” demais. Ele precisava de um grande homem para uma grande missão.
João Batista possuía pelo menos um atributo que o qualificava para o sacerdócio, mas tinha todos os requisitos necessários para tornar-se um profeta. Antes de sua vinda, o povo vivera quatrocentos anos de trevas, sem um raio da luz profética; quatrocentos anos de silêncio, em que não se ouvira o brado: “Assim diz o Senhor”; quatrocentos anos de uma constante deterioração espiritual. E assim Israel, a nação escolhida por Deus, estava imersa em holocaustos, cerimônias e circuncisões, fazendo expiação com rios de sangue de animais, e tendo por mediador uma classe sacerdotal rica e saciada.
Mas o que um exército de sacerdotes não conseguiu fazer em quatrocentos anos, foi feito em seis meses por um homem “enviado por Deus”, moldado por Deus, cheio de Deus e incendiado por Deus, João Batista.
Concordo com E. M. Bounds quando diz que Deus leva vinte anos para formar um pregador. A preparação de João foi feita na divina Universidade do Silêncio. Deus matricula nela todos os seus grandes homens. Embora Cristo tenha feito sua interpelação a Paulo — um fariseu orgulhoso, legalista, de intelecto privilegiado e linhagem invejável — na estrada de Damasco, ele precisou passar três anos na Arábia para se esvaziar de tudo isso, e desaprender o que aprendera, para que finalmente pudesse afirmar: “Deus revelou-se em mim”. Deus pode preencher num minuto o que nós levamos anos para esvaziar. Aleluia!
Jesus disse: “Ide”, mas também ordenou: “Permanecei... até que”. Aquele que resolver passar uma semana fechado num aposento, a pão e água, sem nenhuma leitura a não ser a Bíblia, sem companhia alguma a não ser a do Espírito Santo, ou sofrerá um colapso nervoso ou terá tal experiência com Deus que sua vida e ministério serão revolucionados. Depois disso, como Paulo, ele será conhecido no inferno.
João Batista ficou na divina Escola do Silêncio, o deserto, até o dia em que se manifestou ao povo. E quem poderia estar mais bem preparado para aquela tarefa de despertar de seu sono carnal aquela nação entorpecida, do que aquele profeta queimado de sol, batizado com o fogo e moldado no deserto, e enviado por Deus? Nos olhos, ele trazia a luz de Deus, na voz a autoridade divina e na alma o mesmo ardor de Deus. Quem — pergunto eu — poderia ser maior do que João? É verdade que ele “não fez nenhum sinal”, isto é, não ressuscitou nenhum morto. Mas fez muito mais: ergueu uma nação morta.
E esse profeta vestido de couro, com um ministério de curta duração, era tão ardoroso e sua luz tinha tal brilho, que os que ouviam suas mensagens fervorosas, candentes, iam para casa e passavam noites insones até que sua alma se quebrantava em arrependimento. Entretanto, tinha uma doutrina diferente: sem holocaustos, sem cerimônias, sem circuncisão; tinha uma dieta estranha: sem vinhos, nem banquetes; tinha roupas estranhas: sem filactérios, nem vestes farisaicas.
É verdade, mas João era grande! As grandes águias voam sozinhas; os leões maiores caçam sozinhos; as almas grandiosas vivem sozinhas, a sós com Deus. É muito difícil suportar tal solidão; é impossível apreciá-la, a não ser acompanhado de Deus. Realmente João conseguiu ser grande. Ele foi grande em três aspectos: grande na sua fidelidade ao Pai (preparou-se durante tanto tempo para pregar por tão curto período); grande em sua submissão ao Espírito (andava ou parava de acordo com as orientações dele); grande nas afirmações que fez sobre o Filho (apontando Jesus como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, apesar de não ter-se avistado com ele antes).
João era uma “Voz”. A maioria dos pregadores não passa de ecos, pois, se prestarmos bem atenção, saberemos dizer quais os livros que andaram lendo, e notaremos que citaram muito pouco do Livro. E hoje, só uma Voz, voz de um profeta enviado do céu para pregar aos pregadores, conseguiria despertar o coração dos homens. Só quem tem coração quebrantado é capaz de levar outros ao quebrantamento. Irmãos, nós temos equipamentos, mas não temos poder; temos ação, mas não unção; barulho, mas não avivamento. Somos dogmáticos, mas não dinâmicos!
Todas as eras têm iniciado com fogo, e todas as vidas, sejam de pregadores ou de prostitutas, vão findar em fogo — o fogo do juízo para alguns, o fogo do inferno para outros. Wesley diz o seguinte em um de seus hinos:
“Salvemos as almas do fogo do inferno,
aliviando-lhes o tormento com o sangue de Cristo”.
Irmãos, temos só uma missão: salvar almas, e, no entanto, elas estão perecendo. Pensemos nisso! Existem milhões, centenas de milhões, talvez milhares de milhões de almas eternas que precisam de Cristo. E sem a vida eterna elas irão perecer. Ah, que vergonha para nós, que horror, que tragédia! “Cristo não desejava que ninguém se perdesse”. Irmãos pregadores, hoje há milhões e milhões de pessoas seguindo para o fogo do inferno, porque nós perdemos o fogo do Espírito!
Esta geração de pregadores é responsável pela atual geração de pecadores. Diante das portas de nossas igrejas passam todos os dias milhares de pessoas que não foram salvas porque ninguém lhes pregou, e ninguém lhes pregou porque ninguém as amou. Dou graças a Deus pelo grande trabalho que é realizado nos países estrangeiros. Contudo é muito estranho que aparentemente tenhamos maior preocupação por aqueles que se encontram do outro lado do mundo, do que com os que moram do outro lado da rua. Apesar de todas as nossas campanhas e nosso evangelismo de massas, o número dos que são salvos se limita a centenas, enquanto que, se cair uma bomba atômica por aqui, irão aos milhares para o inferno.
Não tem fundamento a afirmação feita por alguns de que a pecaminosidade atual não tem paralelo em outra época da História. Jesus disse o seguinte: “Assim como foi nos dias de Noé, será também nos dias do Filho do homem”. A descrição de como foi nos dias de Noé encontra-se em Gênesis 6.5: “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”. Então o mal era total, “todo o desígnio”; era contínuo, “continuamente mau”. Era assim, e assim é. Hoje o pecado está recebendo uma fachada de embelezamento, está sendo popularizado, entrando por nossos ouvidos através dos rádios, pelos nossos olhos através da televisão e das capas de revistas. Os membros de igreja se acham saturados das pregações e cansados dos ensinos que ouvem, e estão saindo dos cultos da mesma forma como entram — sem visão e sem fervor algum. Ó Deus, envia para esta geração dez mil João Batistas para arrancar os curativos que os moralistas e políticos colocaram sobre o pecado das nações!
Assim como Moisés não pôde deixar de notar a sarça que ardia, assim também ninguém vai-se enganar quando vir um homem em chamas. Deus vence um fogo com outro fogo. Quanto mais fogo houver nos púlpitos, menos pessoas haverá no fogo do inferno.
João Batista foi um homem diferente com uma mensagem diferente. Assim como o réu acusado de assassinato empalidece ao ouvir o juiz pronunciar a sentença: “Culpado!” assim também aquele povo ouviu João clamar: “Arrependei-vos!” E esse clamor ecoou nos recessos de sua mente, despertando lembranças, fazendo pesar a consciência e levando-os a buscar o batismo, dominados pelo terror. E após o Pentecostes, a pregação de Pedro, que acabara de receber o batismo de fogo do Espírito, abalou os ouvintes de tal modo que eles clamaram: “Que faremos, irmãos?”
Imaginemos que alguém lhes respondesse: “Assine este cartão de membro! Passe a freqüentar esta igreja regularmente. Dê sempre os dízimos”.
Não! Mil vezes não!
Inspirado pela unção do Espírito, João dizia: “Arrependei-vos!” E eles se arrependeram. Mas arrepender não é simplesmente derramar algumas lágrimas no altar. Também não é ter remorso, nem emoção, nem passar por uma reforma pessoal. Arrepender-se é mudar de idéia com relação a Deus, ao pecado e ao inferno!
As duas maiores forças da natureza são o vento e o fogo, e as duas se uniram no dia de Pentecostes. E aquele abençoado grupo reunido no cenáculo, como o vento e o fogo, se tornou irresistível, incontrolável e imprevisível. E o fogo que ardia neles extinguiu a violência do fogo; dele saíram chamas missionárias, centelhas que incendiaram o coração de mártires, e atearam o fogo do avivamento.
Há cerca de duzentos anos atrás Carlos Wesley cantava:
“Ah, que o fogo sagrado possa começar a arder em mim.
E queime a escória dos desejos vis
E faça os montes ruir”.
E o Dr. Hatch levantou o seguinte clamor:
“Sopra em mim, fôlego divino,
Até que me torne inteiramente teu.
Até que o que há de terreno em mim
Arda com o fogo dos céus”.
O fogo do Espírito Santo destrói, purifica, aquece, atrai e enche de poder.
Existem alguns crentes que não sabem precisar a data em que foram salvos. Mas ainda não conheci ninguém que tenha sido batizado com o Espírito Santo e com fogo que não saiba dizer o momento em que isso aconteceu. São esses homens que abalam os povos e os conquistam para Deus, como Wesley, que nasceu do Espírito, foi cheio do Espírito e viveu sempre no Espírito.
Os automóveis só rodam depois que recebem a centelha da ignição; as pessoas que não se movem nem se comovem são as que não receberam ainda o fogo.
Amados irmãos, a Bíblia fala de uma sentença mais pesada para os pregadores. Para eles haverá “maior juízo” (Tg 3.1). Pode ser até que quando eles estiverem perante o trono do julgamento divino, os pecadores lhes digam:
“Pregador, se o senhor tivesse o fogo do Espírito, eu agora não estaria indo para o fogo do inferno”.
Como Wesley, eu também creio que os crentes precisam experimentar o arrependimento. A promessa do Pai é para você. Então agora, onde quer que esteja, numa missão no estrangeiro, numa casa rica e confortável ou num gabinete pastoral, se estiver sentindo-se quebrantado, pronto a render as armas, ajoelhe-se e faça suas as palavras da seguinte oração:
“Manda, Senhor, o fogo,
Para fortalecer meu coração,
E eu viva para salvar o mundo que está perecendo.
Em teu altar agora deposito
Minha vida, meu ser;
Em sinal de aceitação dessa minha oferta, peço-te,
Envia sobre ela o fogo divino!”
— F. de L. Booth-Tucker.

Hoje temos uma igreja fria, num mundo frio, porque os pregadores são frios. Manda teu fogo, Senhor!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

"DEUS PROCURA POR PIONEIROS DE AVIVAMENTO"

Paul S. Rees
Certa vez, apareceu diante dos olhos aguçados do profeta Ezequiel o quadro comovente do Todo-poderoso descendo para vasculhar as ruas e habitações de Jerusalém. Deus procurando por um homem! Um homem que pudesse abrir o caminho, que voltasse aos altares do Senhor, e que convocasse outros para o acompanhar. Um homem, em suma, que fosse um pioneiro no caminho para o avivamento. Surpreendentemente, Deus não conseguiu achar tal pessoa chave. Consequentemente, Jerusalém e Judá continuaram caminhando para sua ruína em 586 a. C. , espiritualmente sem despertamento e sem renovação.
Agora, mude de contexto histórico. Venha para a atualidade. No lugar do templo, coloque a igreja. E então lembre-se de Ezequiel 22.30: “Busquei entre eles um homem que levantasse o muro, e se pusesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse, mas a ninguém achei”.
Não existem numerosas “brechas” ou “rupturas” hoje? Lembre-se que Deus está procurando pessoas – pessoas que estejam alertas ao perigo e sensíveis à necessidade, homens que vão fechar as brechas, e que tomarão posições corajosas em favor de uma retomada espiritual contra todas as forças apóstatas que se opõem a Cristo.
A pergunta que levanto agora é simples e profunda: como podemos nós – você e eu – responder a este chamado de Deus?

Enfrente os Fatos
Primeiro teremos que abrir nossos olhos aos fatos. “Faze-lhe conhecer, pois, todas as suas abominações”, foi a ordem que veio a Ezequiel (22.2). Mas Jerusalém queria ver? Não! Ela preferiu continuar vivendo no seu paraíso enganoso de prosperidade iníqua.
Considere estes flashes de denúncias em Ezequiel: “Fizeste-te culpada, e pelos teus ídolos que fabricaste te contaminaste... Os príncipes de Israel, cada um conforme o seu poder, tiveram domínio sobre ti (abusaram do poder) ... As minhas coisas santas desprezaste, e os meus sábados profanaste... No meio de ti cometem perversidade ... Os príncipes (líderes) são como lobos que arrebatam a presa... Os sacerdotes transgridem a minha lei, e profanam as minhas coisas santas.”
O Espírito de Deus não tem prazer algum em publicar ou divulgar estas falhas degradantes e perversas da sociedade e da igreja. Ele as traz à tona por uma única razão: para bombardear nossa consciência. Temos que ser despertados, nem que seja através de flechadas divinas, senão a sentença de juízo, com mais tempo ou menos tempo, soará sobre nossas cabeças descobertas.
Como os avivamentos sempre começam dentro da igreja, é indispensável para sua chegada que nós que estamos de dentro enfrentemos os fatos. Conselhos poderosos de igrejas e conferências se reúnem, aprovam resolução após resolução, fazem pronunciamento após pronunciamento, enchem o ar com palavras sofisticadas, e daí? Os grandes deste mundo já descobriram que os que se chamam “filhos de Deus” não são muito sérios. Se fossem, começariam a pôr em ordem sua própria casa.

Enfrente a Verdade Sobre
Si Mesmo
Além disso, se você quiser ser um dos instrumentos de Deus para o avivamento, terá de começar consigo mesmo. Um dos provérbios poderia ser aplicado aqui, com toda sua aspereza, àqueles que são chamados por Deus para promover o avivamento. “Os olhos do louco vagam pelas extremidades da terra” (Provérbios 17.24). Isto significa que o louco se recusa a enfrentar as realidades da sua própria vida. Um escritor popular sobre psiquiatria prática disse certa vez: “Embora você esteja mais interessado em si mesmo do que em qualquer outra coisa no mundo, ainda assim possui uma característica extremamente estranha – uma indisposição de enfrentar a verdade sobre si mesmo!”
Se quisermos ter avivamento espiritual nas nossas igrejas, teremos de alguma forma de combater esta mania de confessar os pecados dos outros ao invés dos nossos próprios. Ao criticar outras pessoas, estamos tentando esconder nossas próprias falhas. Isto é fatal para o bem da nossa alma. É fatal para a vinda e continuidade do avivamento.
Por volta de 1830, Charles Finney foi o instrumento do Espírito de Deus para trazer avivamento para a cidade de Rochester, Nova York e região. Como resultado, mais de 100.000 pessoas entraram nas igrejas como cristãos recém-convertidos. Nas suas palavras: “Um avivamento religioso pode ser esperado quando cristãos começam a confessar seus pecados uns aos outros”. Se outra pessoa não fosse encontrada para confirmar sua declaração, teríamos o apóstolo Tiago, que escreveu: “Confessai os vossos pecados uns aos outros... para serdes curados” (Tg 5.16).
Orar por um avivamento é algo que custa caro. Antes de podermos ter regozijo espiritual, precisamos ter humilhação espiritual. E isto não começa com o outro irmão, mas comigo mesmo. “Falemos claramente, de uma vez por todas,” diz Cecil Rose, “auto-exame honesto e introspecção não são a mesma coisa. ‘Introspecção’ é olhar para dentro de si, mas não fazer nada a respeito. ‘Auto-exame’ significa permitir que Deus lhe dê um checape geral com vistas a uma cura radical.”
É a cura radical que precisamos, senão continuaremos a ser parte do problema ao invés de parte da solução.

Obediência Sacrificial a Deus
Uma terceira coisa que se requer de nós, se quisermos ser pioneiros do avivamento, é prestar a Deus obediência sacrificial. Ouça novamente o que Deus diz: “Busquei entre eles um homem que levantasse o muro, e se pusesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse...” Este não é um serviço simples. Exige heroísmo, a disposição de suportar adversidade.
O problema com noventa por cento dos membros de igreja é que entramos no clube do conforto, e deixaríamos o mundo ir para o inferno antes de causar inconveniência a nós mesmos por amor ao Evangelho. Somos vítimas enganadas de sentimentalismo religioso, o que aparece por exemplo na maneira em que transbordamos de entusiasmo em torno de projetos aos quais estamos ligados, ou que favorecem nossos amigos e parentes, enquanto ao mesmo tempo friamente ignoramos as responsabilidades normais de discípulos de Jesus, e a chamada constante para ganhar almas.
O mundo eclesiástico está cheio de cristãos e até de líderes que, mesmo por amor do crucificado Filho de Deus, não se dispõem a sacrificar seu conforto para realizar uma tarefa que somente discípulos totalmente dedicados podem fazer!
Os pioneiros de avivamento precisam ver como tal discipulado é vazio e ineficaz. Precisam parar de se desculpar por não oferecer uma obediência total ao Senhor Jesus, seja qual for seu custo. Muitas vezes estamos falando sobre ministério de tempo integral, quando deveríamos estar acertando antes nossa entrega de coração total para Deus. Não podemos ficar brincando com palavras. O que se requer são entrega e obediência reais.

Poder de Propagação
Para sermos pioneiros de avivamento, temos mencionado três coisas: (1) Enfrente os fatos; (2) Comece consigo mesmo; (3) Ofereça a Deus obediência sacrificial. Há uma quarta palavra que gostaria de incluir: Acredite no poder de propagação do avivamento.
Uma fraqueza da nossa cultura com sua mentalidade de marketing é que colocamos propaganda no lugar da propagação. Propagação é quando algo se estende e multiplica em virtude da liberação de forças interiores – a força da verdade, do amor, e da boa vontade. Não é um processo artificial; é vital.
O avivamento, depois de iniciado, tem um jeito de expandir-se numa reação em cadeia, justamente como a liberação de energia atômica. Um punhado de homens e mulheres humildes em Jerusalém experimentaram avivamento no dia de Pentecoste. Havia apenas umas cento e vinte pessoas. Mas o que receberam de Deus tinha o poder da autopropagação. Espalhou-se de forma tão impressionante pelo Império Romano, que alguns historiadores estimam que dez milhões de pessoas foram alcançadas pelo movimento cristão no primeiro século.
Geralmente tudo começa com a união de algumas poucas mentes e corações numa comunhão de preocupações comuns, e companheirismo de oração com confissão de pecados. Foi isto que aconteceu na Inglaterra no século 18. Wesley e Whitefield pregavam nos campos abertos para até 20.000 pessoas de uma só vez. Mas isto só aconteceu depois que a reação em cadeia havia alcançado plenamente o estágio de explosão. Começou com um pequeno grupo de homens na Universidade Oxford, que estavam preocupados sobre o avivamento nas suas próprias almas e na vida dos cristãos da Grã-Bretanha.
O Dr. J. Edwin Orr diz que o avivamento mais equilibrado e menos emotivo dos tempos modernos foi aquele que tomou conta dos Estados Unidos a partir de 1857. Houve um mínimo de fogo estranho, e um máximo de poder puramente espiritual. Começou, pelo menos naquele país, quando um homem solitário, Jeremiah Lamphier, ajoelhou-se em oração numa Igreja Reformada na Rua Fulton na cidade de Nova York. Alguns outros começaram a juntar-se a ele. A nação estava numa condição terrível. O crime estava alarmante. Por isto era um tempo propício para orar e propagar avivamento. Não demorou muito para esta célula, que começara com uma pessoa e crescera para cinco, transformar-se num tremendo movimento de oração intercessória. Quatro mil pessoas abarrotavam o Salão Jayden em Nova York para orar ao meio-dia. Conversões começaram a acontecer. O país inteiro foi abalado. Quando o despertamento estava no seu auge, foi estimado que cinqüenta mil pessoas estavam se convertendo por semana no país inteiro. No decurso do avivamento, mais de um milhão de pessoas foram acrescentadas às igrejas cristãs.
Daquela tremenda liberação de poder espiritual surgiram ministérios evangelísticos como o de Dwight L. Moody. Vários movimentos poderosos surgiram também, como YMCA e YWCA (movimentos cristãos para moços e moças), e a Escola Dominical. Estes e outros foram tremendamente usados por Deus naquela época.
Deus está procurando pessoas com espíritos angustiados e corações inflamados. Faz mais de cem anos desde aquele avivamento que acabamos de mencionar, que foi chamado o Grande Despertamento. Deus quer nos dar um despertamento no nosso século! Ele está procurando pessoas que possam conduzi-lo, pessoas de espíritos angustiados e corações purificados e inflamados, e que sejam pioneiros do avivamento. Seu clamor fervoroso será como aquele de um colega pioneiro de muito tempo atrás, o profeta Habacuque: “Aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, e no meio dos anos faze-a conhecida; na ira lembra-te da misericórdia” (Hc 3.1).