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sexta-feira, 12 de abril de 2013

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA - PARTE 1

POR QUE ESTUDAR TEOLOGIA?


Esta é uma pergunta que é feita com muita frequência e que precisa ser respondida antes de entrarmos no estudo teológico propriamente dito. Na maioria das vezes, quando se diz que alguém é teólogo, imediatamente surge o pensamento de que esse alguém possui uma capacidade intelectual privilegiada, portador de muitos conceitos difíceis de entender e cuja vida inspira muito pouco no que se refere à espiritualidade. Esse é um erro grosseiro e que contribui para o afastamento das pessoas do estudo da teologia e dos seus benefícios. Gostaria, então, de relacionar alguns motivos para você se dedicar ao máximo ao estudo deste nosso módulo: Introdução à Teologia.

Conhecer mais a Deus – Esse deve ser o anseio de todo crente, mas muitos acreditam que a teologia é inimiga da espiritualidade. Gostaria de relacionar alguns dos homens que mais influenciaram o Cristianismo e que eram profundamente conhecedores da teologia.

 Paulo – Originário da seita dos fariseus, criado aos pés de Gamaliel, conhecedor profundo da Lei. Escreveu 13 cartas que pertencem ao Novo Testamento e foi o maior missionário que a igreja primitiva conheceu. A teologia paulina é bastante estudada, e o livro de Romanos é tido como o maior livro teológico do Novo Testamento. Alguém duvida de que Paulo fosse um homem cheio do Espírito Santo de Deus?

 John Wesley – Fundador da Igreja Metodista e chamado pela imprensa de um “tição tirado do fogo”. Acordava todos os dias às 4 horas da madrugada e tinha uma rotina pesadíssima. É inspiradora a sua dedicação à oração, à leitura da Bíblia, ao evangelismo e ao estudo teológico. Veja o relato de uma de suas experiências vividas pela madrugada.

"Cerca das três horas da madrugada, enquanto perseverávamos em oração (Romanos 12.12), o poder de Deus nos sobreveio de tal maneira que bradamos impulsionados de grande gozo, e muitos caíram ao chão. A seguir, ao passar um pouco o temor e a surpresa que sentimos na pre¬sença da majestade divina, rompemos em uma só voz: 'Louvamos-te, ó Deus, aceitamos-te como Senhor'".

Apesar de enfrentar a apatia espiritual quase geral nos crentes, a par de uma onda de devassidão e crimes no país inteiro, multidões de 5 mil a 20 mil afluíam para ouvir seus sermões. Tornou-se comum, nesses cultos, os pecadores acharem-se tão angustiados, que gritavam e gemiam.

Muitas vezes, os ouvintes eram levados às alturas de amor, gozo e admiração; recebiam também visões da perfeição divina e das excelências de Cristo, até ficarem algumas horas como mortas (Apocalipse 1.17.)

“Passava duas horas diariamente em oração, e, muitas vezes, mais. Iniciava o dia às quatro horas. Certo crente que o conhecia intimamente assim escreveu acerca dele: 'Considerava a oração a coisa mais importante da sua vida e eu o tenho visto sair do quarto com a serenidade de alma visível no rosto até quase brilhar.'"

“João Wesley nasceu e criou-se em um lar onde não havia abundância de pão. Com a venda dos livros da sua autoria ganhou uma fortuna, com a qual contribuía para a causa de Cristo; ao falecer, deixou no mundo 'duas colheres, uma chaleira de prata, um casaco velho' e dezenas de milhares de almas, salvas em épocas de grande decadência espiritual.”

Poderíamos falar, ainda, de Charles Spurgeon, Jorge Whitefield e tantos outros que entenderam perfeitamente o que Jesus queria dizer em Mateus 22.29, Filipenses 1.9, Colossenses 3.16 e Oséias 6.3.

Aprender a pensar – Em uma época em que as pessoas são capazes de ouvir todo tipo de pregação e ensino e não utilizar nenhum filtro, em que as pessoas são conduzidas a viver uma vida cristã mística, consumista e sem grandes questionamentos, é preciso que se levantem homens dispostos a pensar e a questionar, como os Bereanos fizeram (At. 17.11).

No prefácio do livro de John Stott Crer é também pensar, o pastor Ziel Machado escreveu as seguintes palavras:

“Como disse anteriormente, entender que a fé não dispensa o uso da mente foi um desafio no passado e continua sendo em nossos dias. Isso se aplica a nossa relação com Deus, assim como a nossa relação com a sociedade. É de vital importância perguntar a uma igreja que segue um ritmo acelerado de crescimento numérico o que significa este processo. Qual a contribuição de tal crescimento para a missão da igreja, seja em relação a sua proclamação, seja em relação a sua presença social? Algumas formas de misticismo têm crescido no meio da igreja, introduzindo novas formas mais sutis de idolatria, produzindo um esvaziamento da dimensão ética da fé, que é substituída por rituais mágicos para lidar com a realidade. Os que antes eram conhecidos como o povo do Livro agora se veem numa postura que confunde livre acesso à Escritura com livre interpretação da Escritura.

Nessa confusão não se faz justiça ao texto, nem ao contexto, muito menos ao chamado para uma fé que pensa e uma razão que crê. O resultado é uma elaboração de pretextos apresentados no tradicional esquema dos três pontos com uma pequena variação: agora se lê o texto, se esquece do texto e nunca mais se retorna ao texto. Temos o desafio de outras formas de leitura, que colocam o texto sob suspeita, mas não suspeitam de quem suspeita. Outros ainda pretendem exercer sobre o texto bíblico um controle tal, que se esquecem de que o maior desafio não é ler as Escrituras, mas ser lido por elas.”

Ser capaz de responder aos anseios do mundo - Certa vez, presenciei um fato que nunca mais vou esquecer. Um adepto da seita Testemunhas de Jeová abordou um grupo de crentes na porta de uma igreja batista, leu Apocalipse 7 e 14 e fez o seguinte questionamento: “O texto diz que somente 144.000 vão para o céu. Como você pode provar na Bíblia que você também vai para o céu?”. Esses irmãos não sabiam dar uma resposta. Foram, então, para dentro da igreja e pediram aos demais irmãos algum texto, alguma explicação que pudessem dar, mas não encontraram ninguém que pudessem ajudá-los.

Nunca seremos o tipo de crente que sabe responder a todas as perguntas que nos são feitas, mas precisamos fazer o máximo que está em nós para ser encontrados preparados.

“Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” (I Pe. 3.15)

Em Mateus 16.13-20, vemos o Senhor Jesus fazer uma pergunta que, creio, ainda está sendo feita a nós: “Quem vocês dizem que eu sou?”. Penso que essa pergunta tem sido respondida da seguinte forma: Jesus é um:

 Curandeiro

 Bom investimento

 Produto

 Empregado

Precisamos de homens que se coloquem como Pedro e digam: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!”

COMO SE DEVE ESTUDAR TEOLOGIA?

1. Devemos estudar teologia com oração. A Palavra de Deus é discernida espiritualmente. Por isso, devemos orar pedindo a Deus que abra os nossos olhos para podermos ver as maravilhas de sua lei (1 Co. 2.14; Sl. 119.18). Entender a Bíblia é uma virtude espiritual que somente Deus pode nos dar (Ef. 1.17-19). A qualidade de nosso estudo teológico passa pela qualidade de nossa espiritualidade, que se manifesta numa vida de dependência de Deus pela oração.

2. Devemos estudar teologia com humildade. A Bíblia diz que “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes” (1 Pe. 5.5). À medida que aprendemos das Escrituras, devemos ter o cuidado de não nos orgulhar, assumindo, assim, uma atitude de superioridade em relação àqueles que não conhecem o que temos estudado. Para evitar o orgulho, devemos associar o conhecimento ao amor (1 Co. 8.1).

3. Devemos estudar teologia com a razão. Podemos e devemos usar nossa razão para estudar e tirar conclusões do estudo das Escrituras Sagradas, mas nunca fazer deduções que contradigam o que a própria Bíblia diz. Nossas conclusões lógicas podem, muitas vezes, ser errôneas, pois os pensamentos de Deus são mais altos que os nossos pensamentos (Is. 55.8-9). A Bíblia é a essência da verdade, e todo o seu conteúdo é justo e permanente (Sl. 119.160). Toda conclusão lógica que tivermos ao estudar teologia deve estar em harmonia com toda a Bíblia. Caso contrário, nossa lógica estará enganada, pois a Bíblia não se contradiz jamais.

4. Devemos estudar teologia com a ajuda de outros. Deus estabeleceu mestres na igreja (1 Co. 12.28). Isso significa que devemos ler livros escritos por teólogos preparados. Conversar com outros cristãos sobre teologia é também uma excelente maneira de conhecer mais sobre Deus.

5. Devemos estudar teologia compilando passagens bíblicas. O uso de uma boa concordância bíblica nos ajudará a procurar palavras-chave sobre determinado assunto. Resumir versículos relevantes e estudar passagens difíceis também ajuda. É grande a alegria ao descobrir temas bíblicos. É a recompensa do próprio estudo.

6. Devemos estudar teologia com alegria. Não podemos estudar teologia de forma fria, pois ela trata do Deus vivo e de suas maravilhas. O estudo da Bíblia é uma maneira de amar a Deus de todo coração (Dt. 6.5), pois seus ensinamentos “dão alegria ao coração”, são grandes riquezas (Sl. 19.8; 119.14). No estudo da teologia, somos levados a dizer: “Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.” (Rm. 11.33-36)

Pr Fulvio Santos  
A JESUS CRISTO SEJA TODA HONRA E GLÓRIA

quinta-feira, 11 de abril de 2013

ATOS DOS APÓSTOLOS



INTRODUÇÃO

A partir de hoje iniciaremos o estudo do livro de Atos dos Apóstolos, visando conhecer a história dos 30 primeiros anos da Igreja do Senhor Jesus e aprender com ela sobre como devemos ser Igreja. Deus usa Lucas de maneira poderosa para registrar muitas das virtudes, perseguições, problemas internos, visão, missão e desafios que fazem parte do caminhar desta novel igreja.

Nosso propósito não é editar um livro ou produzir um material que possa ser comercializado, mas capacitar os membros de Betesda para uma vida cristã agradável aos olhos do Senhor. Para isso, estarei utilizando alguns materiais de consulta, são eles: Comentário Expositivo de Atos – Hernandes Dias Lopes; Estudo do Livro de Atos – Imprensa Bíblica Regular; Bíblia de Estudo John Macarthur; Bíblia de Estudo NVI, Bíblia de Estudo Apologética e A Mensagem de Atos – John Stott.

Somos uma Igreja com 14 dias de vida, portanto o estudo deste livro torna-se tremendamente relevante para um caminhar saudável e que como consequência trará frutos agradáveis ao Senhor da Obra. Que Deus assim nos ensine, desafie, quebrante, molde, encha com o Seu Espírito e nos use para sermos fiéis na obra do Reino de Deus, e que no final de tudo toda a HONRA E GLÓRIA SEJA DADA A JESUS CRISTO!

VERSÍCULO CHAVE

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” Atos 1.8

AUTOR

Lucas é o autor de duas obras que possuem características próprias, Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos. Por ser ele um médico e erudito, sua forma de escrever é bem típica, pois faz uso de um grego clássico. É citado apenas três vezes na Bíblica (Cl 4.14; II Tm 4.11 e Fm 24) e com isso podemos saber que ele era médico, amigo e cooperador de Paulo e esteve em viagens missionárias com Paulo. O livro traz algumas evidências que realente Lucas é o autor, vejamos:

 O Evangelho de Lucas e Atos escrevem para a mesma pessoa: Teófilo (aquele que ama a Deus);

 Linguagem dos dois livros é semelhante, grego coinê.

 O vocabulário é semelhante, são mais de 50 palavras iguais nos dois livros.


DATA

Foi escrito, provavelmente, em 62 d.C. Seu último registro foi a prisão de Paulo em Roma, quando ele fica 2 anos em uma prisão domiciliar (28.30,31). Como um historiador, Lucas não teria deixado de registrar a segunda prisão de Paulo e consequentemente seu martírio 67 d.C., nem o incêndio de Roma 64 d.C., nem a execução de Paulo em 67 d.C. e nem a destruição de Jerusalém em 70 d.C.

ESBOÇO

Esboço do Livro de Atos dos Apóstolos                                              Progresso do Evangelho              
Introdução 1.1,2                                                                                   JERUSALÉM E JUDÉIA            
O ministério de Cristo após a ressurreição 1.3-11

O período de espera pelo Espírito Santo 1.12-26

A plenitude do Espírito Cap.2

A cura do aleijado e a resultante prisão
de Pedro e de João 3.1-4.31

A comunhão dos bens 4.32-5.11

Os apóstolos pregando, curando e sofrendo perseguição 5.12-42

A escolha dos diáconos 6.1-7

Prisão, discurso e martírio de Estevão 6.8-7.60

Os crentes de Jerusalém são dispersos 8.1-4                                       SAMARIA

Ministério de Felipe 8.5-40

Em Samaria 8.5-25

Ao eunuco etíope 8.26-40

Conversão de Saulo 9.1-31                                                                 CONFINS DA TERRA

Ministério de Pedro no litoral do Mediterrâneo 9.32-11.18

A Enéias e Dorcas 9.32-43

A Cornélio 10.1-11.18

A nova igreja gentílica em Antioquia 11.19-30

Herodes persegue a igreja e morre em seguida cap.12

Primeira viagem missionária de Paulo caps.13, 14
A conferência em Jerusalém 15.1-35

Segunda viagem missionária de Paulo 15.36-18.22

Terceira viagem missionária de Paulo 18.23-21.16

Prisão de Paulo em Jerusalém 21.17-23.35

Paulo é detido 21.17-22.29

Julgamento diante do Sinédrio 22.30-23.11

Transferência a Cesaréia 23.12-35

Prisão de Paulo em Cesaréia caps.24-26

Julgamento diante de Félix cap.24

Julgamento perante Festo 25.1-12

Audiência diante de Festo e Agripa 25.13-26.32

Viagem marítima a Roma 27.1-28.15

Dois anos de prisão domiciliar em Roma 28.16-31

PROPÓSITO DO LIVRO

Continuar relatando para Teófilo (aquele que ama a Deus), provavelmente um cristão rico, membro da nobreza romana ou alguém que ocupava alto posto no governo romano, algumas questões relevantes para a sua compreensão mais ampla do Reino de Deus, são elas:

 Mostrar que os seguidores do Caminho não representavam uma ameaça política para o Estado Romano, como afirmavam alguns.

 Mostrar que o ministério de Jesus não finda com a sua morte, porque Ele ressuscitou e seus seguidores são instrumentos do Poder do Espírito Santo.

 Mostrar o maravilhoso crescimento do Evangelho, iniciando em Jerusalém e indo até os confins da terra.

CARACTERÍSTICAS DO LIVRO

HOMEM DE DEUS X CONHECIMENTO

Muitos tratam o Evangelho como um inimigo lógico da ciência e do conhecimento, é muito comum encontrar pessoas que tem a ideia que crente é sinônimo de ignorância e falta de opção. Isto não é pertinente a nossa época, sempre houve este tipo de visão do mundo em relação aos seguidores de Cristo, talvez isto ocorra pelo fato de muitas pessoas humildes (financeiramente e na sua formação acadêmica) seguirem a Cristo e muitos poucos acadêmicos se tornarem seguidores do Mestre. Lucas vem contrariar esta lógica, observa-se na sua linguagem ao descrever o Evangelho de Lucas e Atos, que ele possuía uma formação privilegiada, além é claro o fato de ser um médico (Cl 4.14). Lembro-me de um pastor que dizia para o seu filho que tinha o curso de Doutorado, além de ser cientista: “Filho, Deus chama também os Doutores para o ministério!”. Precisamos ter esse entendimento bem claro em nossos corações e mente, pois os ambientes acadêmicos têm sido formados, em sua maioria, por pessoas áridas em seu coração e em sua alma, e a presença de homens de Deus nesses locais seria como estar em um campo missionário. Esse é um dos motivos que nos levam a constantemente estimular nossos irmãos de Betesda a estudarem e buscarem um crescimento que alcance todas as áreas de sua vida. Muitas vezes vejo jovens se dedicarem a Igreja e esquecerem que eles também devem ser crentes no seu trabalho, estudos e família, e que um dia irão formar uma família e que possuir uma formação profissional irá contribuir muito para o ajuste desta família.

Lucas, Paulo, Moisés e tantos outros homens na história nos mostram, com a sua própria experiência de vida, que o conhecimento não é inimigo da nossa fé em Cristo.

VIDA DE UMA IGREJA

Presenciamos em Atos, o nascimento de uma Igreja. Assim como é maravilhoso e inesquecível o nascimento de uma criança, assim também é no nascimento de uma Igreja. Estamos tendo o privilégio de sermos os membros que formam Betesda em seu nascimento, isto significa que aprender com a Igreja de Jerusalém é fundamental para sermos uma igreja saudável. Esta igreja é uma igreja que possui algumas coisas tremendas e que estaremos estudando cada uma delas ao longo do nosso estudo, são elas: Capacitação do alto, força evangelística, unidade, doutrina, comunhão, problemas, missão, novos na fé, crescimento, e tantas outras características que nos mostram o quanto é importante para nós este estudo.

MISSÃO DA IGREJA

Este assunto, sem dúvida alguma, vai ser um dos mais discutidos e mais motivantes, pois missões têm sido um dos pilares de Betesda. Temos feito missões como nunca presenciei em nenhuma igreja que fui membro. Estamos concretizando em Betesda alguns princípios que aprendi ao longo de minha caminhada com Deus e em meus estudos no Seminário Betel, e tudo com a unidade dos pastores, liderança e Igreja. Nós não temos noção do quanto crescemos e do quanto temos contribuído para que o Reino de Deus alcance os perdidos. GLÓRIA A DEUS!! Toda a vez que olho para a maioria das igrejas, que gastam a maior parte de seu dinheiro em administração, construção de paredes e compra de bens e converso com o Pr Roberto (Bolívia), Pr Jônison (Biquinhas), ou recebo e-mail do Pr Adriano (Sul), Marlúcia (Jordânia), fico com a certeza no coração que MISSÕES É A RAZÃO DE EXISTIR DA IGREJA pois igreja significa CHAMADOS PARA FORA e não para dentro. Esta Igreja de Jerusalém vai nos desafiar a ir além, a crermos mais e a avançarmos mais. Glória a Deus, amo gente que me desafia a ir além!! E você?

CRESCIMENTO SAUDÁVEL

Esse também será um assunto muito importante para nós, pois vivemos uma época onde as igrejas vivem para o crescimento, e muitas vezes comprometem a sua obediência a Deus. Nas rodas de pastores e nos cursos de liderança, boa parte do tempo é direcionada para buscar uma resposta para a seguinte pergunta: Como faço para minha igreja crescer? Isto é loucura e tem levado muitos a se perderem no caminho.

Existem dois perigos que devemos fugir quando tratamos deste tema:

 Numerolatria – É aquele tipo de igreja que compromete a simplicidade do Evangelho ao tentar inventar maneiras de atrair as pessoas para a sua igreja. Muitas delas têm metas rígidas para alcançar e isso leva suas lideranças a fazerem de tudo para apresentar um relatório positivo. Este tipo de pessoa está sempre medindo ministérios e pastores pela quantidade de membros que suas igrejas possuem.

Conta-se que um grupo de pastores americanos foi visitar um pastor na Coréia que possuía uma igreja que crescia muito e era referencial de crescimento no mundo. O pastor da Coréia iniciou a palestra e de maneira abrupta um dos pastores americanos interrompeu sua fala e perguntou: “Pastor, por favor, seja breve e nos diga: Qual o segredo para sua igreja crescer tanto? O pastor Coreano respondeu: O segredo é que enquanto vocês americanos estão dormindo, nós estamos de joelhos clamando ao Senhor!”

 Numerofobia – Trata-se de uma doença que leva a igreja a acreditar que a vontade de Deus é que esta permaneça pequena durante toda a sua vida. Alguns sintomas desta doença podem ser vistos nas seguintes declarações: “É melhor ter poucos fiéis, do que uma multidão de infiéis!”; “Eu gosto mesmo é de igreja pequena, porque igreja quando cresce não é mais a mesma coisa!”. Assim como queremos que nosso filho cresça de maneira saudável, Deus também deseja que sua igreja cresça e de maneira saudável.

A Igreja de Jerusalém vai nos ensinar muito sobre o que é crescimento saudável, seremos confrontados com nossos conceitos e desafiados.

LIVRO SEM CONCLUSÃO

O livro de Atos não possuiu uma conclusão, despedida ou recomendações, simplesmente é encerrado com o registro da prisão domiciliar de dois anos que Paulo sofre em Roma. Isto ocorre porque a história da Igreja do Senhor não termina ali, nós de Betesda temos o chamado e a missão de dar sequência a esta história maravilhosa, somos chamados a escrever o capítulo 29. Enquanto estivermos estudando este livro, sugiro você a fazer como o Irmão André (Portas Abertas) faz antes de ler a Bíblia, ele ora e diz: “FALA SENHOR, O QUE DISSER EU FAREI!”.

Que o Espírito Santo de Deus conduza a história de nossa vida, de nossa família e de Betesda!



Pr Fulvio Santos


A JESUS CRISTO SEJA TODA HONRA E GLÓRIA

ESTUDOS BETESDA / MARCOS / LIÇÃO 17

JESUS, A ESPERANÇA DOS DESESPERANÇADOS


Marcos 5:21-43

Mateus 9:18-26

Lucas 8:40-56

Este estudo irá contar-nos a história de duas pessoas, uma mulher e Jairo, que viviam um momento de total desesperança. Ambos apresentam um quadro de batante sofrimento e procuram a solução naquele que pode trazer esperança a qualquer coração. Veja algumas das características dessas duas pessoas:

JAIRO                                                                              MULHER ANÔNIMA

Um líder na sinagoga                                                        Uma mulher anônima

Líder religioso                                                                  Excluída da comunidade religiosa

Rico                                                                                  Perdera todos os seus bens buscando
                                                                                         solução para o seu problema de saúde

Convive 12 anos com a sua única filha                            Convive 12 anos com uma doença incurável

Faz um pedido público a Jesus                                        Procura tocar em Jesus de maneira anônima e
                                                                                        silenciosa

A falta de esperança o levou a Jesus                              A falta de esperança a levou a Jesus


Veremos então na vida de cada um deles a obra maravilhosa que Jesus realizou.

QUANDO NOSSOS RECURSOS ACABAM

A MULHER

• Sofria por 12 anos – Tempo longo demais para qualquer pessoa viver uma dor. Foram anos de muitas lágrimas, busca por soluções e desesperança. O Talmude (Livro judaico que trata das leis e doutrinas) dava 11 formas de cura para a hemorragia, mas nenhuma delas solucionou o problema daquela mulher.

• Sonhos desfeitos – Uma mulher sangrando por tanto tempo ficava impedida fisicamente de gerar um filho, portanto ela não podia ter esse tipo de sonho.

• Crise conjugal – Não podemos afirmar que ela possuia um marido, mas caso essa fosse a sua realidade, isto seria um grande problema para o casal. Segundo a lei judaica, uma mulher com fluxo de sangue não podia relacionar-se com o marido e possivelmente seu casamento já estava abalado. Se ela era solteira, não podia casar-se. A mulher mestruada era niddah (impura) e proibida de ter relações sexuais. Os rabinos ensinavam que se os maridos teimassem em relacionar-se com elas nesse período, a maldição viria sobre os filhos. O rabino Shimeon Yohai, ao comentar Levítico 15:31, afirmou que “ao homem que não se separa da sua mulher perto da sua mestruação, mesmo que tenha filhos como os filhos de Arão, estes morrerão”. Mulheres mestruadas transferiam sua impureza a tudo que tocavam inclusive utensílios domésticos e seus conteúdos. Toda cama sobre que se deitasse durante os dias do seu fluxo e toda coisa sobre que se assentasse seria imunda. Os rabinos decretavam que até o cadáver de uma mulher que morreu durante sua mestruação deveria passar por uma purificação especial com água. Devido a todas essas exigências da lei, aquela mulher não poderia casar ou se fosse casada não poderia durante 12 anos ter relacionamento sexual com o seu marido.

• Crise com os amigos – Esta mulher viveu por 12 anos afastada do toque e da convivência de seus amigos. Não poderia nem mesmo participar das festas judaicas, era tida por imunda e comparada a um leproso. Vivia debaixo da vergonha e de uma auto-estima arrasada.

• Crise religiosa – Devido a sua doença, não poderia entrar no templo e nem na sinagoga para adorar a Deus. Ela estava proibida de participar do culto público, visto que estava em constante condição de impureza ritual (Lev.15:25-33). Todos os recursos ela havia empregado na solução de seus problemas, mas nenhum deles foi o suficiente para que ela fosse curada.


O SOFRIMENTO MUITAS VEZES PAVIMENTA O NOSSO CAMINHO A DEUS.
Rev.Hernandes D Lopes

JAIRO

Este homem era um dos principais da sinagoga ou um administrador do templo, isto significa que era o responsável pelos serviços religiosos no centro da cidade no sábado e pela escola e tribunal de justiça durante o restante da semana. Ele supervisionava o culto, cuidava dos rolos da Escritura, distribuía as ofertas, e administrava e cuidava do edifício onde funcionava a sinagoga. O líder da sinagoga era um dos homens mais importantes e respeitados da comunidade. Mas nada disso foi capaz de resolver o seu problema, ele tinha uma única filha que estava a beira da morte. Sua descendência poderia acabar alí com a morte da sua única filha. Aos doze anos uma menina tornava-se mulher, mas não no caso de sua filha. Seus recursos haviam acabado.

A HORA QUE OS NOSSOS RECURSOS ACABAM, JESUS NOS ENCORAJA A CRER SOMENTE

TRANSPONDO BARREIRAS

A MULHER

As barreiras eram muitas.

• Ela doente há 12 anos e portanto sem o vigor físico necessário.

• Para se aproximar de Jesus era preciso vencer a multidão que o cercava.

• Seu emocional estava completamente compromentido pelos anos de desesperança.

• Era uma mulher enferma, fraca, impura e rejeitada.

Ela “tendo ouvido a fama de Jesus” v.27, não viu as dificuldades mas o que Ele poderia fazer.


JAIRO

• Barreira social – Ele era um homem de autoridade e de muito respeito dentro da sociedade em que vivia. Sua posição de principal da sinagoga lhe conferia muitos privilégios e respeito de todos. Mas quando olha para a sua crise (iminente morte de sua filha), ele não tem dúvida em colocar de lado seu status e buscar em Jesus a cura dela.

“ALGUÉM QUE COLOCA A OPINIÃO DOS OUTROS A FRENTE DE SUA FÉ EM JESUS, NÃO ENTENDEU O QUE SIGNIFICA TOMAR A SUA CRUZ E SEGUI-LO”

“PORTANTO, TODO AQUELE QUE ME CONFESSAR DIANTE DOS HOMENS, TAMBÉM EU O CONFESSAREI DIANTE DE MEU PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS;

MAS AQUELE QUE ME NEGAR DIANTE DOS HOMENS, TAMBÉM EU O NEGAREI DIANTE DE MEU PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.”

Mateus 10:31,32

• Barreira religiosa – Este é um momento da vida de Jesus onde você não vai encontrá-lo mais pregando em sinagogas, mas nas praias e nos montes. Todos as seitas judaicas já haviam se posicionado contra Jesus. Jairo precisou romper com o medo da crítica ou mesmo da retaliação dos maiores líderes religiosos da nação.

Romper com barreiras significa colocar a opinião de Deus a frente de qualquer outra pessoa. Existe um livro bastante interessante que nos leva a direcionar nossa vida não pelos valores do mundo, mas pelos de Deus (Em seus passos o que faria Jesus?).

PROSTADO AOS PÉS DE JESUS

A MULHER

No v.33 vemos que ela se prosta aos pés do mestre e lhe declara toda a verdade. Não existe lugar melhor para estarmos do que aos pés do mestre!

QUAL FOI A ÚLTIMA VEZ EM QUE VOCÊ SE COLOCOU AOS PÉS DE JESUS E DECLAROU-LHE TODA A VERDADE?


JAIRO

Com Jairo não foi diferente, no v.22 o vemos se prostando aos pés do Mestre. Foi preciso deixar sua posição de lado, seu orgulho, suas justificativas religiosas, a opinião das demais pessoas, para que humilde se colocasse diante do Jesus.

NÃO HÁ LUGAR NA TERRA MAIS ALTO DO QUE AOS PÉS DE JESUS.
John H Burn

Quero encerrar este estudo apresentando a você o que Jesus diz a Jairo e que se aplica perfeitamente a todos nós.

NÃO TEMAS, CRÊ SOMENTE V.36

Diante da urgência de seus problemas ou de sua crise pessoal, receba esta Palavra vinda do Rei dos Reis. É muito fácil dizer que crê quando todas as coisas estão dando certo, mas é nas crises da vida que precisamos depositar no Senhor a nossa esperança. Aquela mulher e Jairo entenderam isso perfeitamente, mas antes foi preciso que ela gastasse todos os seus bens e ele estivesse com sua filha a beira da morte. Você não precisa esperar que tragédias ocorram na sua vida para se prostar diante dele em adoração, pode tomar essa decisão ainda hoje e com certeza toda a desesperança que tem tomado conta de sua vida será transformada em um dia de milagre em você e em sua família.

“FILHA, A TUA FÉ TE SALVOU; VAI-TE EM PAZ E FICA LIVRE DO TEU MAL”
Jesus Cristo



Pr Fulvio Santos

A JESUS CRISTO SEJA TODA HONRA E GLÓRIA

sábado, 19 de janeiro de 2013

HOMENS QUE INCENDIARAM



HOMENS QUE INCENDIARAM

Não é tão simples falar de homens que viveram ou vivem muito perto de Deus, tendo um relacionamento íntimo com Ele. Isto se dá pelo fato da compreensão deles estar muito além da nossa. Os que compreenderam ou compreendem sobre Deus, Jesus, Espirito Santo e sobre o pecado vai, muita das vezes, além de nosso entendimento. Ao ponto de acharmos que Deus tem filhos prediletos e que, o que ocorreu com estes homens foi naquela época e não se aplica hoje.

Há aproximadamente quinhentos anos, o mundo conheceu e admirou homens que deixaram suas marcas de coragem, determinação, fé, abnegação e amor à obra de Cristo. Hoje, em pleno século XXI, a história e perseverança desses admiráveis servos de Deus continuam vivas e inspirando os corações daqueles que realmente desejam fazer a vontade de Deus.

Sentindo as necessidades dos homens que perecem sem Cristo, os heróis da fé romperam limites, desafiaram os pecados do povo e não se intimidavam com as ameaças dos poderosos da época. Com sermões cheios de unção, milhares de vidas foram impactadas pela fé sobrenatural destes, que tinham em Cristo, o refrigério e força para prosseguirem nessa árdua tarefa de desafiar e combater o pecado em um mundo cada vez mais arraigado no pecado e na maldade.

Muitos crentes ficam satisfeitíssimos por, apenas, escapar da perdição! Eles ignoram "A plenitude do Evangelho de Cristo" (Romanos 15.29). "A vida em abundância" (João 10.10). É muito mais do que ser salvo, como se vê ao ler as biografias.

Jonathan Edwards = Há dois séculos e meio que o mundo fala do famoso sermão: Pecadores nas mãos de um Deus irado e dos ouvintes que se agarravam aos bancos pensando que iam cair no fogo eterno. Esse fato foi, apenas, um dos muitos que aconteceram nas reuniões em que o Espírito Santo desvendava os olhos dos presentes para eles contemplassem as glórias do céu e a realidade do castigo que está bem perto daqueles que estão afastados de Deus. Mas por que isto aconteceu?

John Bunyan = "Caminhando pelo deserto deste mundo, parei num sítio onde Havia uma caverna (a prisão de Bedford): ali deitei-me para descansar. Em breve adormeci e tive um sonho. Vi um homem coberto de andrajos, de pé, e com as costas voltadas para a sua habitação, tendo sobre os ombros uma pesada carga (Pecado) e nas mãos um livro (Bíblia)".

George Whitefield = Mais de 100 mil homens e mulheres rodeavam o pregador, há mais de duzentos anos, em Cambuslang, Escócia. As palavras do sermão, vivificadas pelo Espírito Santo, ouviam-se distintamente em todas as partes que formavam esse mar humano. Difícil é, no vulto da multidão fazer ideia dos 10 mil penitentes que responderam ao apelo para se entregarem ao Salvador. “Havia como um fogo ardente encerrado nos ossos deste pregador”, que era George Whitefield. Ardia nele um zelo santo de ver todas as pessoas libertas da escravidão do pecado. Durante um período de vinte e oito dias fez a incrível façanha de pregar a 10 mil pessoas diariamente. Sua voz se ouvia perfeitamente a mais de um quilômetro de distância, apesar de fraco de físicamente e de sofrer dos pulmões. Príncipe dos pregadores ao ar livre, porque pregava em média dez vezes por semana, e isso fez durante um período de trinta e quatro anos, em grande parte sob o teto construído por Deus:  os céus. 

O primeiro pensamento que deve encher nossos corações é: Deus não tem filhos prediletos e que os avivamentos que lemos e ouvimos podem ocorrer ainda hoje. Por vezes temos a impressão de Deus ter abençoado algumas pessoas mais do que outras (Rm 2.11; At 10.34). Achamos que Deus derrama mais do seu Espírito sobre uns poucos felizardos (Jo 3.34), que Deus derrama a sua benção naqueles que mais merecem (Ef 2.1-10).

O segundo pensamento que precisamos ter é: o que estes homens tinham em comum? É claro que cada um deles tinha uma característica marcante, mas isso não os fazia serem usados poderosamente por Deus. Deus usou homens letrados como Moises e Paulo, e homens leigos como Pedro. Deus falou pela boca de servos que tinham problemas para falar como Moises e homens com boa oratória como os profetas que eram verdadeiros artistas na palavra. Deus usou homens com carisma que cativavam as pessoas e outros que liam seus sermões monotonamente. Deus usou homens ricos e pobres, brancos e negros, bonitos e feios, altos e baixos, gordos e magros. Deus usou homens com vozes fortes e outros com fracas, alguns tinham vozes de locutor e outros causariam irritação aos ouvidos se não fosse a unção sobre eles. Estas características diferem de pessoa para pessoa, sendo assim, o que eles tinham em comum? O que fazia deles homens tão usados por Deus? Qual era o segredo destes homens? É a pergunta que fazemos.

·        Homens cheios do Espírito Santo tem caráter (Sl 15). Caráter é aquilo que você é “no escuro”. O caráter não tem haver como você se mostra perante determinado meio social, tem a ver com os valores e a moral.

 

Caráter é um conjunto de características e traços particulares que caracterizam um indivíduo ou um grupo. É uma qualidade inerente a uma pessoa refletindo o seu modo de ser.

 

O caráter não sofre as influências do meio, uma vez que ele é próprio de cada pessoa. Já a personalidade, o humor e o temperamento podem sofrer alterações em função da adaptação familiar, pedagógica e social do indivíduo.

 

O conjunto das qualidades e defeitos de uma pessoa é que vão determinar a sua conduta e a sua moralidade. Os seus valores e firmeza moral definem a coerência das suas ações, do seu procedimento e comportamento.

 

Uma pessoa "sem caráter", geralmente é qualificada como desonesta, pois não apresenta firmeza de princípios ou de moral. Por outro lado, uma pessoa "de caráter" é alguém com formação moral sólida e incontestável.

 

O caráter quando é forte, não se deixa levar por alguma proposta de uma via mais fácil para a realização de algo. Mesmo se naquele momento parece ser o melhor caminho a seguir, é o caráter que vai determinar a escolha do indivíduo.

O caráter é modelado através da experiência, cultura, educação e formação familiar e pode ser sempre aperfeiçoado com perseverança e determinação.

 

·         Homens cheios do Espírito Santo tem como base a valorização da família (ITm 3.5). Um homem de Deus sabe que sua primeira função é ser esposo, sua segunda função é ser Pai e se sobrar tempo ele prega. O que adiantaria ganhar o mundo e ver seu filho perdido. Do que valeria salvar milhares de lares e ver seu lar afundando na discórdia.

 

·        Homens cheios do Espírito Santo tem como base de vida o perdão (Mt 18.23-35). O homem cheio do Espírito Santo perdoa o maior dos seus inimigos, pois, se a pessoa não consegue perdoar é porque não nasceu de novo! Se esta pessoa não entendeu o grande perdão de Deus, ela não perdoa, pois não é salva.

 

·        Homens cheios do Espírito Santo tem como base de vida a oração. O que esses homens tinham em comum?  Uma vida de consagração e oração.

Lemos, por exemplo, nos livros da vida de Adoniram Judson que ele foi um homem extraordinário na mão de Deus. Porém em sua preciosa biografia, escrita por um de seus filhos, Eduardo Judson, descobre-se que esse talentoso missionário passava diariamente horas a fio, de noite e de madrugada, em íntima comunhão com Deus, em oração.

 

Jonathas Edward costumava passar treze horas estudando e orando todos os dias; João Wesley considerava a oração a coisa mais importante de sua vida, tanto é, que todo o dia levantava-se religiosamente às 4 horas da manhã; Jorge Whitefield, pregador escocês do século XVIII assim dividia o seu tempo: 8 horas sozinho com Deus; 8 horas para dormir e refeições, 8 horas para trabalho entre o povo; Dwight Lyman Moody, de acordo com biógrafos, após, uma viagem cansativa de trem, chegando ao hotel passava o resto da noite em oração.

Todos os grandes ganhadores de almas através dos séculos foram homens e mulheres incansáveis na oração. Conheço como homens de oração quase todos os pregadores de êxito da geração atual, tanto como os da geração próxima passada, e sei que, igualmente, foram homens de intensa oração.

Se você ora menos de 2 horas por dia você vale menos que um centavo, disse Ravenhill.

Mas como era a oração destes homens.

1.     Sincera – Falar com Deus, afirmando querer fazer muitas coisas, estando na verdade desanimado ou não querendo fazer, é tão ruim quanto não orar.

2.    Fervorosa – orar só para cumprir uma obrigação ou para dizer que passou um tempo falando com Deus é tão ruim quanto blasfemar.

3.    Com Deus – orar sem estar na presença de Deus, é como orar para o “nada”, orar para que suas orações fiquem no teto. É orar de forma vã.

4.    Com intimidade – a oração é a intimidade de um filho com seu Pai celestial.

 

·        Homens cheios do Espírito Santo tem como base de vida a Palavra de Deus (Jo 5.39; Hb 4.12). Ela é seu guia, sua regra, sua prática diária, seu conhecimento, sua inspiração, sua motivação. É da Palavra de Deus que vem o verdadeiro alimento. A Palavra de Deus é a verdade axiomática no coração do crente.

 

·               Homens cheios do Espírito Santo tem como base de vida a fé (Hb 11). Muitos não deixam sua espada – a Bíblia - em casa, mas sua principal arma a fé nunca está em seus corações. A principal arma do cristão é a FÉ.

 

Conclusão

Concluo dizendo que depois de ler e reler várias biografias cuidadosamente, que os “heróis da fé” eram homens comuns sujeitos as mesmas paixões que nós (Tg 5.17). E que não se pode atribuir o êxito de qualquer deles a seus próprios talentos, força de vontade ou esforços. Certamente foi obra de Deus em homens frágeis e simples, homens de oração, cheios do poder do Espírito Santo em seus corações.

Diego Rumão

 

A JESUS CRISTO SEJA TODA HONRA E GLÓRIA!!






quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

PASTOR OU GERENTE? IGREJA OU EMPRESA?


A questão não é nova. E me defino logo: a igreja não é empresa e o pastor não é gerente eclesiástico. Sei que um pastor deve ter noções de liderança de grupo e que uma igreja precisa de regras de vivência administrativa. Inclusive, por ser pessoa jurídica, se submeter às leis do país. Mas igreja não é empresa. Igreja é igreja, algo totalmente singular e distinto de qualquer outra organização. E deve ser pastoreada por homens que sejam pastores. Deus deu pastores à igreja (Ef 4.1) e não administradores de empresa. Gerentes devem ficar em empresas, e pastores nas igrejas.
A liderança da igreja não se forma em escolas de administração nem em cursos de liderança. É carismática. Os charismata do Espírito são para fazer a igreja viver. Sem os dons do Espírito a igreja pode ser uma instituição admirável, funcionando bem, como uma máquina azeitada, mas corre o risco de não ser mais igreja. Por charisma não me refiro a curas, línguas, ou sua interpretação. Nas listas de dons do Novo Testamento, estes não são os primeiros alistados. Não discutirei dons, aqui. Posso discuti-los em outra ocasião, mas agora afirmo o seguinte: a igreja e o ministério pastoral têm sido descaracterizados por causa de um enfoque equivocado. Os apóstolos pediram à igreja que escolhesse homens de boa reputação para administrar um problema da igreja, e afirmaram: “Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (At 6.4). Esta é a função primordial do pastor: assuntos espirituais. E não me digam que supervisionar colocação de tijolos é negócio espiritual, que não há dicotomia entre vida material e espiritual, que esta separação é platonismo, etc. Posso discutir Platão em outra ocasião, mas ele não tem nada a ver com esta visão. Os apóstolos deixaram claro que tinham algo mais importante a fazer que cuidar de alguns problemas da igreja, que eram relevantes e ameaçavam a unidade, mas que não eram para eles cuidarem. Hoje há uma inversão: os pastores cuidam dos negócios e pedem à igreja que ore por eles. Mas em Atos, os homens da igreja cuidavam dos negócios e os pastores oravam e pregavam.

Ao apresentar o excelente “A vocação espiritual do pastor”, de Eugene Petersen, Ricardo Barbosa faz uma observação muito pertinente. Diz ele que há duas palavras novas, recém incorporadas ao vocabulário atinente à vocação pastoral: líder e terapeuta. Diz ele, textualmente: “Fala-se cada vez menos em formação pastoral e mais em formação de líderes. Curiosamente, ‘líder’ é uma palavra que não aparece na Bíblia para descrever aquele que serve a Deus em sua igreja. Também não aparece na longa história de vinte séculos de vocação pastoral” (p. 7). Continuando o arrazoado, Ricardo diz que quando se fala em pastor, hoje, não nos vem à mente a figura do Salmo 23 ou as responsabilidades sacerdotais de Arão, “mas as imagens do executivo, do administrador, do empresário, imagens de um profissional” (p. 8). Ele faz uma interessante comparação entre pastores e terapeutas seculares. Muitos destes renunciam à ciência, e citam manuais de auto-ajuda. Os pastores deixam de lado a orientação da Palavra, e citam terapeutas incrédulos e almanaques. Sua conclusão é séria: “Nosso chamado é para ser pastores, não líderes ou terapeutas” (p. 11).

Isso se coaduna com a argumentação de Os Guiness, em “Dining with the Devil: the megachurch movement flirts with the modernity” (“Jantando com o Diabo – o movimento mega-igreja flerta com a modernidade”). Para Guiness, o maior desafio do mundo à igreja não é o secularismo, mas a secularização. O secularismo é uma filosofia, e a secularização é um processo. Sendo abertamente hostil, o secularismo, logo é identificado e rejeitado. Mas a secularização vem como um processo, e nos envolve sutilmente, até mesmo porque nós a usamos. Ouvi um líder cristão, nos anos noventas, dizer que “para viver segura, a igreja precisava ter, pelo menos, R$ 10.000,00 em caixa”. A argumentação é mundana, mas me chocou tanto que a comentei aos formandos da Faculdade de Teologia do Amazonas, em 1997, na palavra paraninfal que intitulei de “Quando a igreja troca a teologia pela tecnocracia”, e volto a ela, treze anos depois. Tal líder não entendeu que a maior segurança da igreja está em viver dentro da Palavra, na presença de Deus, e não no seu caixa. Quando há vida espiritual na igreja, o Espírito move os corações das pessoas. Foi assim que o Espírito agiu na vida de José, levando-o a vender seu terreno, sem que houvesse uma campanha para tal, e trouxesse o valor à igreja (At 4.36-37). Onde há espiritualidade há recursos. Mais que marketing, a igreja precisa de santidade.

O obreiro cristão secularizado é um tecnocrata. Crê que a salvação e o futuro da igreja não estão em Deus e na oração, mas em táticas humanas. Sua visão é mundana. Assim, muitas igrejas vivem de campanhas e os pastores se esmeram na criatividade para mobilizar o povo. Mas um ambiente espiritual proveria isto. Muito de nossa ação secularizadora poderia ser alvo do pedido de Paulo:

“Não extingais o Espírito” (1Ts 5.19)ACF. A verdadeira liderança se põe mãos do Espírito, vive em sua presença, e possibilita sua ação na igreja. Não o extingue, trocando-o por técnicas de animação do povo tipo: “Como liderar o povo de Deus em sua caminhada para o sucesso”. A maior característica de liderança da igreja é que ela deve ser carismática, vinda do Espírito, e não de cursinhos, livros e revistas sobre técnicas.

Na obra citada, Os Guiness traz o comentário feito por um negociante japonês a um cristão: “Sempre que encontro um líder budista, encontro um homem santo. Sempre que encontro um líder cristão, encontro um administrador” (p. 97). Isto me foi uma bofetada. A liderança cristã deve ser recrutada entre os mais santos e piedosos, os mais moldados pela Bíblia (cremos mesmo que ela é o manual de Deus à igreja?) e não entre os mais capazes na vida secular, mesmo que de espiritualidade opaca. Priorizamos a competência secular sobre a santidade, e depois descobrimos que não deu certo, porque as regras de vida da igreja diferem das regras de vida de uma empresa. Basta uma diferença para nos fazer refletir sobre isto. A saúde de uma empresa está em maximizar ganhos e minimizar gastos. Quer matar uma igreja? Faça isso! Quer ver uma igreja explodir de vida? Leve-a a investir em missões, em obreiros, em vidas. Os recursos virão. Afinal, Deus disse:

“Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos”(Ag 2.8)ACF

Está no Salmo 50.12: “Se eu tivesse fome, não to diria, pois meu é o mundo e toda a sua plenitude”(ACF)

Deus tem os recursos, mas momentaneamente os deixa com seu povo. E não precisam ser extorquidos do povo, que o traz voluntariamente quando Deus age. O problema é que parece que não cremos mais nessas coisas, e tentamos dar um jeito de fazer a igreja funcionar. Aposentamos o Espírito Santo. Estou chocado com a visão secular do reino de Deus entre nós. A proliferação de modelos eclesiásticos é uma prova disso. Damos cada vez mais valor à técnica e aos métodos. Colocamos Deus na periferia e o fazer humano no centro. Não é de admirar que vivamos em uma crise cíclica. Perdemos os alvos espirituais de vista. Eles são numéricos e quantitativos. Mas a igreja é algo muito sério para a tomarmos em nossas mãos!

No seu prefácio, Barbosa faz um interessante comentário sobre como é difícil aos pastores serem pastores. Diz ele que é porque os pastores estão afundados na idolatria: “Onde dois ou três estão reunidos e o nome de Deus é pronunciado, uma comissão está formada para a criação de um ídolo. Queremos deuses que não sejam deuses para que possamos ser ‘como deuses’” (p. 16). A tecnocracia é o grande ídolo, o bezerro de ouro de nossas igrejas e pastores. Assim, pastorado deixou de ser ensinar a Palavra e cuidar das pessoas e se tornou administrar um negócio espiritual. Deixou de ser um sacerdócio (viver na presença de Deus, ministrar a Palavra de Deus e interceder pelo rebanho de Deus) e passou a ser uma carreira religiosa. O pastor virou gerente.

O texto de Petersen, propriamente dito, se baseia em Jonas. Ele quis servir a Deus, não como este queria, mas do seu modo.

No final, sua briga com o Senhor não foi por causa do reino de Deus, mas de sua reputação pessoal. Esta é uma das lutas do pastor: preocupar-se mais com sua reputação pessoal que com a vontade de Deus. Não podemos usar a igreja e o reino como degraus para a nossa escalada pessoal rumo ao sucesso. “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). Mas muita gente está escrevendo sua história pessoal tendo o evangelho como pretexto. O ministério do obreiro é promovido mais que o nome de Jesus. Em alguns lugares, lá estão o nome do obreiro (em letras garrafais) e sua foto-pôster. É um culto à personalidade, vulgar e chocante. Esta pessoa está ambicionando o lugar de Jesus. Na realidade, o obreiro sequer deveria ser promovido.

Sei que pastores estão em baixa, não tem expressão e não movimentam recursos de monta. Gerentes, sim. E muitas igrejas, estruturadas como empresas, querem gerentes, não pastores. Há rebanhos que não querem pastores, mas agem como acionistas de um negócio espiritual: querem um executivo. Não querem ouvir a voz de Deus, até mesmo porque isso é perigoso. Querem ouvir o eco de sua própria voz. E atribuem ao eco o status de voz divina.

Jonas pensou que podia servir a Deus em Társis, ao invés de Nínive. O seu negócio era servir a Deus. Então, ele tentou fazer à sua maneira, não à maneira de Deus. Como comento em meu livro “Jonas, nosso contemporâneo”, segundo os rabinos, a razão principal pela qual Jonas foi para Társis não foi por ser o lado oposto a Nínive, mas ser um lugar onde a Palavra de Deus não se fazia ouvir (com base em exegese de Isaías 66.19). Quando um homem segue seus insights foge da voz de Deus. O profeta ouve a voz de Deus. O homem religioso segue seus insights. Outra grande tentação do pastor é ser um homem religioso, e não um profeta. Porque é possível cuidar de religião sem ouvir a voz de Deus. É menos problemático cuidar de religião. Não é de estranhar a dificuldade de tantos pastores com a Bíblia, a ponto de chamarem quem cita a Bíblia de fundamentalista. Nessa enquadraram Jesus, porque ele gostava muito de dizer “Está escrito”. Gerente tem mais margem de manobra em negócios que pastor. O gerente ouve o mercado e segue as técnicas modernas. O pastor deve se guiar por noções tidas como obsoletas. E parece que o gerente e a igreja-empresa estão mais cotados que o pastor e a igreja-igreja: arrastam mais gente e aparentam mais sucesso aos olhos humanos.

Mas perguntemo-nos: isto é mesmo igreja nos moldes bíblicos? O que estamos fazendo com a igreja e com o reino de Deus?

Pastores devem ouvir a Bíblia, submeter-se a ela, reger-se por ela. Gerentes amam e seguem técnicas e soluções como

“R$ 10.000,00 em caixa”. Mas gerentes descaracterizam a igreja e a transformam num negócio secular. Precisamos recuperar o sentido bíblico de igreja, bem como os princípios bíblicos para a vida da igreja. Também precisamos recuperar a visão bíblica do ministério, trazendo o pastor de volta ao molde pastoral do Novo Testamento, e não ao figurino do gerente moderno. Caso contrário, nós que já perdemos as duas últimas décadas discutindo métodos para recuperar nossa denominação, perderemos outras, discutindo métodos e técnicas. Estamos patinando e não nos damos conta disso! Estou cansado de modelos, gráficos e desenhos que, na minha limitação gerencial, nunca entendo! Há trinta anos vejo minha denominação, que muito amo, discutir técnicas e modelos. Será que ainda não deu para notar que não é por aí? Não dá para notar que precisamos deixar os bezerros de ouro da técnica, dos modelos, do institucionalismo, e reentronizar o Deus verdadeiro em nossas igrejas? Que os rebanhos precisam de pastores e não de gerentes? Que carecemos de vida mais que de estratégias?

Solução? Não tenho, mas ouso uma sugestão. Por que, ao invés de pedir às igrejas que orem pelo Brasil, no dia 15 de outubro, não pedimos às igrejas e aos batistas da CBB, que separem o dia para orar e jejuar pela denominação? Que tal priorizarmos a oração e a espiritualidade sobre técnica, modelos, planos e gestões? Parece-me que ver a igreja como empresa e tornar o pastor em gerente é o que mais temos feito nos últimos vinte anos e não saímos do lugar. Jejuemos e oremos assim, e quem sabe, voltaremos ao pastor-pastor e à igreja-igreja. Oremos por um avivamento que nos faça retornar à simplicidade que há em Cristo (1Co 11.3). Um avivamento que nos leve a confessar e chorar nossos erros, que afaste da liderança as pessoas erradas, que leve os pastores a amarem mais as igrejas que seus ministérios, que acabe com as carreiras solos e nos reconduza ao trabalho solidário. Um avivamento que acabe com o “eu” e traga o “nós” de volta.

Quanto a mim, quero ser pastor e não gerente. Quero cuidar de um rebanho, não de uma empresa. E reitero meu amor pela igreja de Jesus, pela minha denominação, e minha crença inabalável que precisamos retornar a um caminho abandonado.

“Não removas os antigos limites que teus pais fizeram” (Pv 22.28)ACF

Temos feito isto. E nos saído mal.

Pr Isaltino Gomes Coelho Filho

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